Angela Weiss e Win McNamee via AFP
Angela Weiss e Win McNamee via AFP

Estudo indica que comícios de Trump podem ter causado 30 mil novos casos de covid nos EUA

Pesquisadores de Stanford analisaram a mudança nas curvas de casos após 18 eventos da campanha; presidente ignorou restrições de distanciamento e promoveu encontros na pandemia

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2020 | 13h52

Um estudo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, sugere que 18 dos comícios promovidos por Donald Trump, atual presidente do país e candidato à reeleição, entre junho e setembro podem ter causado ao menos 30 mil novos casos de covid-19 e 700 mortes. Mesmo com a pandemia, o mandatário tem ignorado as recomendações de distanciamento social e promovido grandes eventos.

O principal objetivo da pesquisa, assinada por B. Douglas Bernheim, Nina Buchmann, Zach Freitas-Groff e Sebastián Otero, do departamento de Economia da universidade, é estimar o impacto de encontros de grandes grupos em meio à pandemia do novo coronavírus. O estudo foi divulgado inicialmente nas redes sociais dos pesquisadores e ainda não foi revisado.

Para chegar a essa estimativa, os autores não usaram como base os casos confirmados de pessoas que compareceram aos eventos de Trump. Na verdade, eles compararam a situação da doença pré-comício em cada um dos 18 condados com até as dez semanas seguintes, para analisar o ritmo de contaminação e o impacto do evento. Além disso, compararam as curvas dessas regiões com as de outros condados de proporções semelhantes que tinham cenários parecidos no período anterior aos encontros.

Foram analisados os comícios que ocorreram entre os dias 20 de junho, em Tulsa, no Oklahoma - um evento esvaziado no interior de uma arena -, e 22 de setembro, em Pittsburgh, na Pensilvânia.

Em média, os pesquisadores estimam que os eventos causaram mais de 250 casos de covid-19 confirmados a cada 100 mil habitantes, totalizando 30 mil casos no período. Quanto às mortes, concluem que houve um aumento de 700 nos registros, “não necessariamente entre pessoas que compareceram aos eventos”, ressaltam.

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Críticas

O estudo é divulgado em meio a críticas frequentes da campanha do adversário de Trump, o democrata Joe Biden, ao descumprimento das medidas de distanciamento social por parte durante a corrida eleitoral. O presidente já atacou autoridades locais por restrições e sugeriu que a pandemia foi um obstáculo político colocado por seu adversário.

Um outro estudo publicado na revista Science mostrou que as mortes por covid-19 diminuem o apoio à reeleição do presidente. Os autores avaliaram no texto que as taxas de letalidade da doença são pelo menos tão importantes quanto o desempenho econômico da região em que vive o eleitor na hora de declarar apoio na eleição.

Ao jornal The New York Times, Judd Deere, porta-voz da Casa Branca, disse que o estudo tem fundamentos “políticos e tem base em suposições frágeis que buscam envergonhar os apoiadores de Trump”. 

Procurado pelo jornal americano, o coordenador do estudo e do setor de Economia da universidade, o professor B. Douglas Bernheim, disse que é comum no meio acadêmico da economia divulgar pesquisas na internet antes de publicá-las para que outros especialistas possam comentá-las e a política não foi a principal motivação da análise. “Há um debate em torno das consequências econômicas das restrições e das consequências na saúde das transmissões (do vírus) e eu, como economista, penso que esta discussão é importante e apropriada”, afirmou.

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