Estudo mostra deterioração da imagem dos EUA no mundo

Pouco mais de um ano depois das manifestações mundiais de simpatia e solidariedade aos americanos, provocadas pelos ataques terroristas de 11 de setembro, o descontentamento com os Estados Unidos cresceu e a imagem do país deteriorou-se em praticamente todo o planeta. É o que diz um estudo realizado de junho a setembro deste ano pelo Pew Research Center for the People & the Press, junto a 38 mil pessoas - das quais mil no Brasil.A ex-secretária de Estado dos EUA, Madeline Albright, presidiu a comissão que elaborou o questionário de mais de 80 perguntas, aplicado por empresas especializadas em entrevista individuais de 40 minutos de duração. O diretor do Pew Research Center, Andrew Kohut, e o editor econômico do National Journal e membro do Council on Foreign Relations, Bruce Stokesque, que participaram da elaboração do trabalho e das análises dos resultados, apresentaram hoje suas conclusões aos assessores da Casa Branca, Karl Rove e Condoleezza Rice."A hostilidade, senão o ódio aos Estados Unidos está concentrado nas nações muçulmanas e na Ásia Central, que são hoje áreas de conflito", disse Kohut. "Mas as opiniões sobre os EUA são complicadas e contraditórias. Em todo o mundo as pessoas adotam as coisas americanas e ao mesmo tempo denunciam a influência dos EUA em suas sociedades."As 44 nações incluídas no levantamento reclamam do unilateralismo americano, mas a guerra contra o terrorismo, que é hoje a viga mestra da política americana, goza de amplo apoio fora do mundo islâmico. Em relação ao Iraque, por exemplo, os europeus concordam com os 84% de americanos que consideram Saddam Hussein um perigo para o mundo. Três quartos dos ingleses e alemães e dois terços dos franceses compraram a tese do presidente George W. Bush de que o líder iraquiano precisa ser removido do poder. Mas a maioria não concorda que isso seja feito pela força. Franceses e alemães acham que a motivação principal da ofensiva de Washington contra Saddam é a preocupação em garantir o acesso ao petróleo iraquiano e não a ameaça que ele representa para o mundo. Nessa questão, até os ingleses, que são os mais próximos aliados dos EUA, estão divididos.Embora as atitudes em relação aos EUA sejam mais negativas no Oriente Médio e em outras zonas de conflito, a crítica às políticas e aos chamados ideais americanos, como o estilo de democracia e as práticas de negócios do país, é mais forte entre aliados tradicionais da Europa e as democracias mais consolidadas do mundo em desenvolvimento, como o Brasil. A avaliação negativa que os habitantes dos países incluídos no levantamento fazem dos EUA é acompanhada por um claro descontentamento em relação ao mundo.As conclusões divulgadas hoje são apenas uma parte do estudo. Na primavera americana de 2003, o Pew Research Center apresentará um segundo levantamento feito com base nos questionários, focalizando a globalização e a modernização. A íntegra do estudo está disponível no site www.people-press.org.

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