Estudo sugere aos EUA estratégias contra terrorismo

Os Estados Unidos devem avançar na luta antiterrorista se quiserem derrotar o radicalismo islâmico e enfraquecer seu apoio nos países muçulmanos, afirma um estudo do Instituto Rand, de Santa Mônica, na Califórnia. Segundo o relatório, os EUA precisam adotar a mesma estratégia que aumentou a oposição ao comunismo na União Soviética e nos países da Europa oriental até a queda do sistema soviético, na década de 1990. Até agora, as características principais da luta convencional contra o terrorismo têm sido o ataque frontal, o estrangulamento das fontes de financiamento e o unilateralismo, segundo os analistas do instituto. O Rand afirma que a campanha contra o terrorismo islâmico deve atacar as bases do que chama de "jihadismo global", minar os vínculos ideológicos entre os grupos terroristas e fortalecer a capacidade dos Estados para resistir a ameaças extremistas. Se a ideologia da Jihad ("Guerra Santa") "continuar se propagando e sendo aceita no mundo islâmico, produzirá mais terroristas, que se somarão às fileiras da Al-Qaeda e de outros grupos", acrescenta o estudo da organização, que se dedica a pesquisas políticas. "Se a sua ideologia forma contra-atacada e cair em descrédito, a Al-Qaeda e seu universo morrerão", acrescenta. Angel Rabasa, analista do Rand e principal autor do estudo, afirma que "o sucesso na guerra contra o terrorismo exige a compreensão de que se trata de uma luta política e ideológica". "O que inspira e sustenta o movimento é uma ideologia radical e islâmica, mas que também aplica tradições totalitárias", características de alguns regimes do Ocidente no século XX. "Em sua base, a guerra contra o terrorismo é uma guerra de idéias", afirma. Segundo o analista, o objetivo da nova estratégia "é negar aos extremistas o domínio de seu discurso islâmico político e religioso, habilidosamente explorado pela Al-Qaeda para promover sua retórica Radical". O relatório reconhece que é difícil lutar de fora contra uma ideologia. Mas aponta fraquezas que podem ser exploradas. Também alerta que os terroristas que defendem a Guerra Santa islâmica ameaçam não só os países do Ocidente, mas também os muçulmanos. Acrescenta que "é importante" que os aliados muçulmanos saibam que o Estado islâmico defendido pela Al-Qaeda excluiria diversas correntes do Islã. "No mundo de Osama bin Laden não há espaço para os xiitas. No Islã sunita, não há espaço para uma interpretação moderada da religião", observa. O relatório sugere que os EUA neguem refúgio a grupos terroristas e fortaleçam a capacidade dos governos para enfrentar ameaças terroristas, oferecendo assessoria, informação e análise.

Agencia Estado,

17 Novembro 2006 | 02h07

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