Estupro é 'epidêmico' em zonas de conflito da África, diz Unicef

Os estupros e os atos deviolência sexual praticados contra crianças e mulheresespalham-se pelas zonas de conflito da África como umaepidemia, afirmou na terça-feira o Fundo das Nações Unidas paraa Infância (Unicef). Os casos de estupro tornam-se muito mais numerosos empaíses que enfrentam conflitos armados ou que sofrem desastresnaturais, afirmou a vice-diretora-executiva do órgão, HildeJohnson, em uma entrevista coletiva. Entre as vítimas encontradas na República Democrática doCongo, por exemplo, há desde crianças pequenas a mulheresoctogenárias, afirmou Johnson. Muitas delas sofreram, além da agressão propriamentesexual, mutilação genital, acrescentou avice-diretora-executiva no lançamento de uma campanha do Unicefpara levantar 856 milhões de dólares e ajudar neste ano, em 39países, crianças em situação de emergência. "Percebemos que o número de casos de estupro e violênciasexual dobrou nos dias seguintes à eclosão do conflito noQuênia", afirmou. A Libéria e a região de Darfur (Sudão) são asoutras áreas onde esse tipo de crime tem sido usado, de maneiracada vez mais frequente, como uma arma. "Em alguns países, esses atos atingiram níveis epidêmicos,"disse Johnson. A agência descreveu o problema como uma epidemiaporque o uso do estupro como arma deixou de ser uma práticaadotada apenas por soldados e milícias para ser adotada tambémpor civis em situações de conflito e guerra interna. "Quando uma sociedade entra em colapso, parece que há, emalguns desses países, uma licença para estuprar. É por isso quevemos nesse fato algo de proporções epidêmicas -- esse fenômenotem vida própria", afirmou. O apelo de 2008 feito pelo Unicef inclui 106 milhões dedólares a serem enviados ao Congo. Grande parte desse dinheirodeve ser gasto com o fornecimento de ajuda em sua forma maistradicional, ou seja alimentos, abrigo e água. Mas parte deleseria utilizada para combater o estupro, disse Johnson. O que incluiria trabalhar com o governo, o Exército e asmilícias em campanhas preventivas, criar áreas de proteção eajudar as vítimas com tratamento médico e outros tipos deatendimento. Segundo Johnson, se um acordo de paz assinado no Congo nodia 23 de janeiro perdurar, as agências de ajuda conseguiriamingressar novamente em áreas antes inacessíveis e devemencontrar milhares mais de refugiados e outras vítimas queprecisam de ajuda. (Reportagem de Jonathan Lynn)

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