Estupro é usado como arma de guerra, diz Cruz Vermelha

O estupro está sendo crescentemente utilizado como arma de guerra, afirmou nesta terça-feira a Cruz Vermelha Internacional. "As mulheres são violentadas sexualmente para humilhar, intimidar e derrotar o grupo ´inimigo´ a que pertencem", de acordo com um estudo realizado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Os resultados preliminares de um estudo de dois anos sobre o impacto dos conflitos armados sobre as mulheres foram divulgados em antecipação à comemoração do Dia Internacional da Mulher, na próxima quinta-feira. Embora haja um menor número de representantes do sexo feminino nas frentes de luta ou detidas como prisioneiras de guerra, mulheres e crianças constituem 80% do total dos refugiados, diz o relatório. A morte ou a partida de seus parceiros, os homens, faz recair sobre as mulheres um pesado fardo de responsabilidades e as deixa mais vulneráveis à violência sexual. As mulheres, que freqüentemente passam anos após um conflito em busca de notícias sobre o destino de seus companheiros, são submetidas a forte pressão psicológica. Muitas vezes elas se vêem sozinhas, sem direito à terra e à casa onde vivem, sem herança, sem benefícios sociais nem pensões, ou até mesmo sem o direito de assinar contratos. "É claro que a falta de respeito às regras humanitárias internacionais é mais sentida pelas mulheres adultas e as meninas", disse Jacob Kellenberger, presidente do comitê internacional da organização em Genebra. Apesar de sua vulnerabilidade, muitas vezes as mulheres enfrentam melhor do que os homens as dificuldades, acrescenta o relatório. "As mulheres dispõem de uma tremenda reserva de mecanismos para enfrentar as dificuldades - mecanismos estes que elas desenvolveram como sobreviventes das guerras, como participantes de programas humanitários e como chefes de família", diz ainda o estudo, salientando que "o Dia Internacional da Mulher é uma ocasião para comemorar a coragem, a flexibilidade e a força das mulheres".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.