Esvaziada, cúpula termina sem consenso

Reunião na Colômbia de líderes das Américas esbarrou em debate sobre participação de Cuba

JULIA DUAILIBI, ENVIADA ESPECIAL / CARTAGENA, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2012 | 03h04

Esvaziada, a 6.ª Cúpula das Américas terminou ontem colocando em xeque a sobrevivência do encontro que reúne desde 1994 os presidentes de 30 países do continente. Depois de dois dias de discussão em Cartagena, na Colômbia, os líderes não conseguiram chegar a um consenso sobre a participação de Cuba nos próximos encontros, o que fez com que o fórum terminasse sem uma declaração política final. Os chanceleres admitiram que a cúpula de Cartagena pode ter sido a última.

O impasse foi protagonizado por Estados Unidos e países como Bolívia, Argentina e Venezuela, que se recusaram a assinar qualquer documento que não defendesse a participação de Cuba.

Ao final do encontro, Barack Obama disse que dará as boas-vindas a uma Cuba "livre" nas próximas Cúpulas das Américas, ao reiterar que o país ainda "não se moveu rumo à democracia". "Tenho esperança de que uma transição comece a acontecer, mas ainda não chegamos lá."

A presidente Dilma Rousseff chegou a intervir durante o retiro presidencial, reunião fechada dos líderes. Afirmou que Cuba vivia um momento de transição e os países tinham de ser solidários. Seguindo a linha dos vizinhos, afirmou esperar que este tenha sido o último encontro sem o país. Ontem, o líder cubano Fidel Castro elogiou Dilma por suas declarações no sábado, quando a brasileira, sentada ao lado de Barack Obama, defendeu relações "entre iguais".

Juan Manuel Santos (Colômbia) tentou minimizar o esvaziamento do encontro, abandonado por Evo Morales (Bolívia) e Cristina Kirchner (Argentina) antes mesmo do fim. Disse que, pela primeira vez, foram levados a plenário pontos polêmicos.

Cristina ficou insatisfeita com a ausência de uma menção à disputa que trava com a Grã-Bretanha pela soberania das Ilhas Malvinas. Ela questionou Santos após a abertura da cúpula. "Esqueceu-se das Malvinas?" O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, disse que os países eram favoráveis a uma manifestação de apoio à causa argentina, mas foram barrados por EUA e Canadá.

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