Vincent West/Reuters
Vincent West/Reuters

ETA anuncia desarmamento após mais de 40 anos de violência

Desde seu primeiro atentado, em 1968, o grupo assassinou mais de 800 pessoas, entre autoridades e civis

O Estado de S.Paulo

08 Abril 2017 | 02h38

BAYONNE - A organização separatista basca ETA, que colocou fim às suas quatro décads de luta armada pela independência do País Basco e de Navarra, anunciou que completará seu processo de desarmamento neste sábado, 8, entregando à justiça francesa informação sobre os esconderijos de armas. 

Ainda que as características do desarmamento sigam confusas, a entrega da lista de esconderijos de armas e explosivos situados na França às autoridades foi confirmada pela organização em uma declaração. "O ETA entregou as armas à sociedade e elas estão em território francês", disse na sexta-feira, 7, o militante basco Txets Etcheverry. 

A organização, considerada como terrorista pela União Europeia, rechaçava até o momento o desarmamento e sua dissolução unilateral, exigida por Madri e Paris. Pedia uma negociação sobre a situação de seus militantes presos, dispersos por cadeias francesas e espanholas distantes do País Basco. 

Mas o governo espanhol reafirmou na sexta que o ETA não obteria algo em troca do desarmamento. "Que o ETA não espere nada do governo, porque não obterá nenhum benefício político", indicou o porta-voz do governo, Iñigo Méndez de Vigo. 

O "Euskadi Ta Askatasuna", (País Basco e Liberdade, em euskera), nasceu como um grupo de oposição ao franquismo em 1959. Em 2011, renunciou às armas depois de 43 anos de violência e 829 mortos - o primeiro atentado foi em 1968. 

Segundo especialistas, o ETA teria 130 armas e duas toneladas de explosivos, majoritariamente roubados da França. Analistas afirmam que o grupo "agoniza" e teria apenas 30 membros ativos.

Segundo autoridades penitenciárias espanholas, continuam na prisão cerca de 360 pertencenes ao ETA, 280 na Espanha e 75 na França. O grupo solicita que os membros sejam encaminhados para prisões mais próximas e recebam liberdade condicional. Familiares das vítimas da organização separatista se opõem a qualquer flexibilização nas penas.

A operação do desarmamento deve se desenrolar na manhã de sábado em Bayonne, no sudoeste da França. / AFP

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