ETA aponta crise no diálogo com o governo da Espanha

O grupo terrorista ETA afirmou que há "uma crise no processo" de negociação, iniciado depois do cessar-fogo permanente declarado em março de 2006. O grupo advertiu que "se o governo espanhol não cumprir seus compromissos, e não há sinais de que isso vai ser feito, o processo vai ser rompido". Na edição de número 111 da revista Zutabe, boletim interno do ETA que aparece na edição deste sábado do jornal basco Gara, o grupo anunciou "um novo esforço no caminho para as negociações com o governo da Espanha", com a vontade de "reconduzir" um processo que, segundo o grupo, está "bloqueado". O grupo responsabiliza a situação aos governos espanhol e francês, que segundo o grupo, mantêm, "intactas todas suas forças repressivas", assim como alguns partidos, fazendo referência ao Partido Socialista (PSOE), que está no governo, e ao Partido Nacionalista Basco (PNV). As forças politicas, afirmou o ETA, deixaram passar "um tempo precioso" no qual "não deram nenhum passo visível ao processo democrático". O grupo considera necessário que o governo espanhol responda "ao compromisso que adotou para deixar a repressão de lado", mas também "que se comprometa claramente a respeitar o resultado do processo" o que, para o grupo, quer dizer "respeitar a vontade dos cidadãos bascos". Para isso, o ETA anunciou que "vai iniciar um novo esforço para encaminhar as negociações abertas com o governo da Espanha". Resposta do governo Depois das acusações do ETA, o governo espanhol afirmou, neste sábado, que as regras para o processo de paz no País Basco "são imutáveis". "As regras se resumem facilmente. Têm um requisito prévio: que não haja violência. Têm uma metodologia, que é o diálogo. E têm um marco para esse diálogo: a legalidade vigente", assegurou Alfredo Pérez Rubalcaba, ministro do Interior espanhol. O ministro indicou que essa é a linha pela qual "o governo vai conduzir o processo de paz em Euskadi (o País Basco)", bem como foi estabelecido pelo presidente do governo, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero. "O governo tem uma vontade grande para pôr fim à violência em Euskadi e no restante da Espanha, mas também tem uma determinação e uma firmeza total para que essas regras sejam cumpridas", acrescentou Pérez Rubalcaba. Cessar-fogo A organização terrorista, que causou a morte de mais de 850 pessoas desde 1968 em sua luta pela formação de um Estado Basco independente e socialista, declarou um cessar-fogo permanente no dia 22 de março de 2006. Três meses depois, no dia 29 de julho, o presidente do governo espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, afirmou diante do Parlamento que, uma vez constatada a veracidade do cessar-fogo, o Executivo iria se propor a iniciar o diálogo com o ETA. Oficialmente, os contatos entre as duas partes não começaram e Zapatero assegurou que o governo vai informar as novidades sobre o diálogo. Porém, as negociações não são vistas como seguras, principalmente depois que um assalto de armas, na França, foi atribuído ao grupo terrorista. No comunicado, o ETA também pediu às autoridades do País Basco que "dêem passos visíveis" para o avanço do processo democrático. O grupo criticou o fato de uma mesa multipartidária não ter sido criada para tratar as questões políticas do conflito. O grupo afirmou que a esquerda nacionalista espanhola deve assumir a responsabilidade de impulsionar o processo e destaca que não vai aceitar "pseudo soluções nem trapaças". "A base da resolução do conflito é sustentada na autodeterminação e na territorialidade", afirmou o grupo. Por último, o ETA criticou o PSOE e acusou o partido de estar "chantageando o Batasuna" (braço político ilegal do partido) para formar um novo partido que o permita concorrer nas eleições.

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