ETA declara fim da luta armada pelo País Basco

Após 43 anos de terror, milícia separatista pede negociação com os governos francês e espanhol para resolver as 'consequências do conflito'

SAN SEBASTIÁN, ESPANHA, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2011 | 03h04

A milícia separatista Pátria Basca e Liberdade (ETA) anunciou ontem o fim "definitivo de sua atividade armada", depois de 43 anos de insurgência terrorista contra os governos da Espanha e da França, que exercem soberania sobre os territórios reivindicados pelos bascos. Desde seu primeiro atentado, em 1968, o grupo assassinou mais de 850 pessoas, entre autoridades e civis.

Enfraquecida pela intensa pressão policial e pela falta de respaldo político para insistir na luta armada, a ETA havia anunciado em janeiro um "cessar-fogo geral, permanente e verificável pela comunidade internacional", a última das inúmeras tréguas que o grupo declarou durante sua existência. Até a publicação do comunicado, porém, no site do jornal Gara, nunca havia mencionado desistir da violência de maneira definitiva.

"A ETA faz um chamado aos governos de Espanha e França para a abertura de um processo de diálogo direto, que tenha como objetivo a resolução das consequências do conflito e, assim, a superação do confronto armado", afirmou a milícia em um vídeo, no qual classificou como "histórica" sua declaração.

No texto, o grupo lamenta a morte e o exílio de integrantes do grupo terrorista e afirmou que "o reconhecimento da Euskal Herria (do País Basco) e o respeito à vontade popular basca devem prevalecer sobre a imposição".

O comunicado foi feito três dias após personalidades internacionais - entre elas o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan - terem pedido o fim da violência da ETA durante uma conferência em San Sebastián, no País Basco. A declaração, porém, não disse o que a milícia fará com suas armas - cuja devolução é exigida pelo governo da Espanha como pressuposto para negociações - ou se a entidade será dissolvida. O premiê da Espanha, José Luis Zapatero, classificou a decisão da ETA como "a vitória da democracia, da lei e da razão". / AFP, REUTERS e AP

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