JACK GUEZ / AFP
JACK GUEZ / AFP

Etíopes protestam contra violência policial e racismo em Israel

Manifestação terminou em confronto com a polícia, que usou granadas e canhões de água para dispersar as pessoas 

O Estado de S. Paulo

03 de maio de 2015 | 19h23

TEL-AVIV - Milhares de etíopes-israelenses entraram em confronto neste domingo, 3, com a polícia após bloquearem as principais ruas de Tel-Aviv, em Israel. Eles protestaram contra o que chamaram de racismo e brutalidade policial após a divulgação, na semana passada, de um vídeo que mostra agentes israelenses agredindo um soldado negro.

“Eu já estou cheio desse comportamento da polícia, eu simplesmente não confio mais neles. Quando vejo um policial, eu cuspo no chão”, disse ao Canal 2 uma manifestante não identificada.


Durante horas, a principal avenida da cidade foi bloqueada e Tel-Aviv ficou paralisada pelos protestos. “Chega de racismo, chega de violência. Um policial violento deveria estar na cadeia”, gritava a multidão enquanto caminhava pelas ruas da cidade. Alguns carregavam a bandeira de Israel.

A repressão policial ocorreu quando os manifestantes seguiam rumo ao edifício da prefeitura, duas horas depois do início dos protestos. O chefe de polícia, Yohanan Danino, disse ao Canal 10 que os policiais atuaram “com comedimento, mas em resposta a uma concentração não autorizada”.

Na Praça Rabin, os manifestantes atiraram pedras e garrafas contra a polícia, que reagiu lançando granadas e canhões de água contra as pessoas. A polícia afirmou que os manifestantes destruíram uma viatura durante o confronto. Segundo as autoridades, ao menos 20 policiais ficaram feridos e 26 manifestantes foram presos. A manifestação foi uma das mais violentas que já ocorreram no centro da cidade.

Os porta-vozes do protesto disseram que o objetivo da manifestação era expressar o descontentamento com o racismo e a discriminação que sofrem das autoridades e da população do país. “Mais de 70% dos etíopes estão concentrados em guetos em 17 localidades, criando tensões com o resto da população. Desde que nos colocaram ali, ninguém se lembra mais de nós”, disse Avi, um dos membros da comunidade.

Uma manifestação semelhante também terminou em confronto na quinta-feira em Jerusalém e a situação dos jovens de etnia etíope que protestam contra a conduta policial em Israel está sendo chamada de a “Baltimore de Israel” – referência aos protestos ocorridos na cidade americana após a morte do jovem negro Freddie Gray.

O porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld, rejeitou as acusações de racismo e qualquer comparação com a situação nos EUA. “Essa não é uma questão racial. São questões sociais e econômicas”, afirmou Rosenfeld sobre o protesto de ontem.

No dia 26 de abril, o vídeo de uma câmera de segurança divulgado na internet mostrou dois policiais brancos detendo violentamente o soldado etíope Damas Pakado na cidade de Holon, sem aparente motivo.

Resposta. Em uma tentativa de restabelecer a calma, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou ontem que se reunirá com líderes da comunidade etíope hoje para discutir a agressão policial contra o soldado, que deverá estar presente no encontro. Segundo Netanyahu, o chefe da polícia israelense e representantes de diversos ministérios foram chamados para a reunião.

Danino afirmou que o policial filmado agredindo Pakado foi demitido e uma equipe foi formada com integrantes da comunidade etíope e da polícia para tentar chegar a um acordo e melhorar o relacionamento na cidade. / EFE, NYT e REUTERS

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