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Etiópia anuncia libertação de opositores e diz que promoverá diálogo nacional

Movimento para libertar líderes de diferentes grupos étnicos é o avanço mais significativo desde o início da guerra na região norte do Tigré, que ameaça a unidade do segundo país mais populoso da África

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2022 | 18h11

ADDIS ABABA - A Etiópia vai libertar vários líderes da oposição que estão presos, informou nesta sexta-feira, 7, a emissora estatal. O governo informou que iniciará o diálogo com oponentes políticos após 14 meses de guerra durante os quais milhares de pessoas foram presas. 

O movimento para libertar líderes de diferentes grupos étnicos é o avanço mais significativo desde o início da guerra na região norte do Tigré, que ameaça a unidade do segundo país mais populoso da África. Alguns membros da Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF, sigla em inglês) estão entre os libertados.

"A chave para uma paz duradoura é o diálogo", afirma um comunicado divulgado pela secretaria de comunicações do governo, citando o nome de vários opositores dos grupos étnicos Oromo e Amhara e membros da TPLF, que está em conflito com forças federais no norte do país desde novembro de 2020. "Uma das obrigações morais de um vencedor é a misericórdia."

O anúncio foi feito depois que o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, divulgou um comunicado pedindo uma "reconciliação nacional", coincidindo com o Natal ortodoxo, celebrado naquele país.

A lista divulgada pela emissora estatal Ethiopian Broadcasting Corporation inclui dois importantes líderes políticos de Oromia: Bekele Gerba, um líder sênior do Partido Federalista Oromo no Congresso, e Jawar Mohammed, fundador da Rede de Mídia Oromia. Oromia é o lar do maior grupo étnico da Etiópia e o coração político de Ahmed.

A agência Reuters não conseguiu contatar imediatamente os representantes ou advogados dos dois homens, que foram acusados ​​em setembro de 2020 de crimes de terrorismo que as autoridades disseram estar ligados aos protestos que ocorreram em junho daquele ano, após o assassinato de um popular cantor Oromo.

Oromia tem uma insurgência de longa data enraizada em queixas sobre a percepção de marginalização política e abusos de direitos por membros dos serviços de segurança.

O líder do partido de oposição Balderas pela Democracia Genuína, Eskinder Nega, foi solto, segundo anunciou seu partido no Twitter. Eskinder, um jornalista e blogueiro da etnia Amhara, foi acusado ao lado de Jawar, Bekele e mais de uma dúzia de outros ativistas políticos.

Em agosto, o grupo insurgente Oromo mais ativo, o Exército de Libertação Oromo, anunciou uma aliança com as forças do Tigré lideradas pela TPLF, o partido que dominou a política nacional da Etiópia por quase três décadas antes da nomeação de Ahmed, em 2018./AFP e REUTERS 

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