Stoyan Nenov/Reuters
Stoyan Nenov/Reuters

'Eu faria tudo de novo', diz atirador norueguês em julgamento

Anders Behring Breivik declarou-se inocente e disse que estava defendendo seu país ao cometer atentados

estadão.com.br,

17 de abril de 2012 | 10h18

Texto atualizado às 20h21

 

OSLO - O atirador norueguês de extrema direita que matou 77 pessoas em julho do ano passado, Anders Behring Breivik, disse em seu julgamento nesta terça-feira, 17, que o ataque com bomba e o tiroteio que promoveu em uma ilha do país foram "sofisticados e espetaculares" e que faria a mesma coisa novamente.

 

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Breivik, de 33 anos, declarou-se inocente e disse que estava defendendo seu país ao explodir um carro-bomba que matou oito pessoas em um edifício do governo em Oslo e depois matar outras 69 pessoas em um tiroteio num acampamento de verão para jovens organizado pelo Partido Trabalhista. "Eu realizei o ataque político mais sofisticado e espetacular cometido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial", Breivik disse ao tribunal em uma declaração preparada.

 

"Eles (os noruegueses) correm o risco de ser uma minoria em sua própria capital, em seu próprio país, no futuro". Durante o depoimento, ainda acrescentou: "Sim, eu teria feito de novo, porque crimes contra o meu povo... são muito piores". Este foi o primeiro depoimento de Breivik no processo que ele enfrenta pelas mortes.

 

Embora tenha admitido os crimes na segunda-feira, quando o julgamento começou, e apesar de que provavelmente ele será mantido atrás das grades para o resto da vida, o principal objetivo de Breivik é provar que é são. No julgamento, ele vê como forma de justificar sua causa antimuçulmana e anti-imigração.

 

Breivik, que abandonou o colégio, disse que ser rotulado como louco seria um "destino pior que a morte". Se for considerado culpado e sadio, o réu enfrenta uma pena máxima de 21 anos, mas poderia ficar detido por tempo indeterminado se for considerado um perigo contínuo. Caso seja declarado insano, ele seria mantido em uma instituição psiquiátrica indefinidamente com revisões periódicas.

 

O segundo dia de julgamento começou polêmico depois que o tribunal dispensou um jurado por ele ter postado um comentário em uma página do Facebook após o massacre, afirmando que o atirador deveria receber a pena de morte.

 

Dois juízes profissionais, assim como três jurados da sociedade civil, presidem o tribunal. O jurado, que será substituído, postou: "A pena de morte é o único resultado justo para este caso" no Facebook. A Noruega não tem pena de morte. O julgamento está previsto para durar 10 semanas.

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