'Eu não blefo', alerta Obama a líderes do Irã

O presidente dos EUA, Barack Obama, alertou ontem Teerã de que, caso as sanções internacionais não parem o programa nuclear iraniano, Washington recorrerá à força contra a república islâmica. "Israel sabe que, para os EUA, um Irã nuclear é inaceitável", alertou o presidente em entrevista.

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE/ WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2012 | 03h07

Obama foi além, dizendo que "o governo de Israel sabe também que, como presidente americano, eu não blefo. Para ter uma política consistente, eu tnão saio por aí anunciando exatamente quais são nossas intenções. Mas tanto Israel quanto o Irã reconhecem que, quando os EUA dizem que uma arma nuclear do Irã é inaceitável, nós falamos sério", disse Obama.

O apoio amplo a Israel prepara o terreno para Obama convencer o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, a não desferir um ataque surpresa contra o Irã. O encontro entre os dois líderes será na segunda-feira, na Casa Branca.

Obama deu a entrevista no momento em que Israel prepara o teste de seu sistema de mísseis interceptadores Arrow 3. O exercício é visto como um sinal de possível confronto com o Irã. Em casa, Obama tem sido atacado pelos pré-candidatos republicanos à Casa Branca por seu compromisso supostamente vago com Israel. Um novo conflito envolvendo os EUA terá consequências imprevisíveis para seu projeto de reeleger-se.

Na entrevista, divulgada ontem pela revista The Atlantic, Obama deixou claro que o "componente militar" é uma das opções diante do Irã. Mas ainda mostrou-se otimista com relação a um recuo de Teerã, por força das sanções multilaterais e unilaterais aplicadas.

O Irã, para ele, está "em sofrimento" por causa do cerco econômico. Sua insistência em construir a bomba atômica resultaria em uma escalada nuclear no Oriente médio e não ameaçaria apenas a segurança de Israel e da região, mas também - e "profundamente" - a dos EUA.

"Estamos falando da região mais volátil do mundo. Será intolerável para muitos países da região não ter arma nuclear enquanto o Irã a possui", argumentou o presidente americano. "O Irã é reconhecido patrocinador de organizações terroristas, o que torna a ameaça de proliferação ainda mais grave."

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