Jung Yeon-Je/Pool Photo via AP
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Presidente sul-coreano promete impedir ‘a qualquer custo’ um conflito com Pyongyang

Em entrevista coletiva, Moon Jae-in garantiu que não haverá guerra na região e ressaltou que população está ‘trabalhando duro’ para ‘reconstruir o país a partir das ruínas da Guerra da Coreia’

O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2017 | 03h12
Atualizado 17 Agosto 2017 | 10h45

SEUL - O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, disse nesta quinta-feira, 17, que não haverá guerra na Península da Coreia, e prometeu impedir o conflito "a qualquer custo", apesar da tensão em torno dos programas nuclear e balístico de Pyongyang.

"Todos os sul-coreanos estão trabalhando duro, todos juntos, para reconstruir este país a partir das ruínas da Guerra da Coreia", disse ele em entrevista coletiva para marcar os primeiros 100 dias do seu mandato. "Vou impedir a guerra a qualquer custo (...). Quero que todos os sul-coreanos acreditem com confiança que não haverá uma guerra", afirmou.

A tensão atingiu seu nível máximo após as ameaças de Pyongyang de disparar mísseis contra os arredores de Guam, uma ilha do Pacífico onde os EUA têm bases estratégicas. O presidente americano, Donald Trump, advertiu que responderia com "fogo e fúria" eventuais ameaças norte-coreanas.

Mas na terça-feira 15, a tensão diminuiu quando o líder norte-coreano, Kim Jong-un, se distanciou do plano de disparar mísseis em direção a Guam. No mesmo dia, ele advertiu que poderá mudar de opinião e destacou que “é necessário que os EUA adotem a opção correta".

As declarações de Washington e Pyongyang haviam alimentado os temores de que erros de cálculo tivessem consequências catastróficas. Na entrevista, Moon disse que Seul é capaz de bloquear qualquer ataque dos EUA na região. "Ninguém pode adotar uma decisão sobre ações militares na Península Coreana sem nossa autorização."

Linha vermelha

Moon, que visitou Washington no fim de junho, não criticou a retórica de Trump a respeito de Pyongyang. "O presidente Trump está tentando pressionar a Coreia do Norte para mostrar uma resolução firme. Não penso que ele está tentando mostrar uma vontade de iniciar uma ação militar", disse.

Ex-ativista dos direitos humanos, o líder sul-coreano já defendeu um compromisso com o Norte para o retorno à mesa de negociações. Mas as conversas iniciadas em 2003, após a saída de Pyongyang do tratado de não-proliferação nuclear, estão suspensas.

A postura de Moon de buscar o diálogo de forma paralela às sanções contra Pyongyang despertou preocupações sobre uma possível divisão com Washington. Contudo, os gestos conciliadores foram deixados de lado desde sua posse e ele já minimizou a urgência de iniciar um diálogo.

"Não acredito que devemos nos apressar", disse, antes de destacar que para que as conversas aconteçam "precisa existir uma garantia de que terão um resultado frutífero".

Para Moon, a "Coreia do Norte tem primeiro de acabar com as provocações adicionais para criar um ambiente de diálogo". "A linha vermelha seria a Coreia do Norte completar um ICBM (míssil balístico intercontinental) com uma ogiva nuclear", disse.

"Se a Coreia do Norte fizer outra provocação, vai enfrentar sanções ainda mais duras e não conseguirão sobreviver. Gostaria de advertir a Coreia do Norte a parar com este jogo perigoso.”

O Conselho de Segurança da ONU, incluindo a China, aprovou no dia 5 de agosto novas sanções contra a Coreia do Norte, medida que poderia custar ao regime norte-coreano US$ 1 bilhão por ano. As sanções foram uma resposta ao lançamento de mísseis intercontinentais norte-coreanos em julho, que poderiam alcançar, segundo Pyongyang, o território americano. / AFP

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