EFE / EPA / STR
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'Eu sou capitão, ele é pacifista', diz Bolsonaro após visita a memorial de Gandhi

Presidente visitou o mausoléu do líder pacifista na capital indiana; homenagem é tradição a chefes de Estado que estão na Índia

Paulo Beraldo, enviado especial, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2020 | 08h43

NOVA DÉLHI - Antes de assinar 15 atos para favorecer a cooperação e comércio com a Índia, o presidente Jair Bolsonaro levou flores ao memorial do líder pacifista Mahatma Gandhi, tido como um dos heróis nacionais do país asiático. A cerimônia durou pouco menos de dez minutos e o presidente recebeu um busto de Gandhi, decisivo para o processo pacífico de independência da Índia em relação ao Reino Unido no ano de 1947. 

Questionado pela imprensa sobre o que achou da cerimônia, respondeu que o momento "toca a alma da gente". Sobre a sua avaliação da figura de Gandhi, disse: "Olha, eu sou um capitão do Exército, ele é um pacifista, tá certo? Mas, obviamente, a gente reconhece o seu passado sempre pregando a paz, a harmonia, a liberdade", afirmou. 

O professor indiano Umesh Mukhi, do Departamento de Administração de Empresas da FGV-SP, diz que a tradição de líderes estrangeiros oferecem flores a Gandhi é uma forma de demonstrar a importância do indiano para paz e para a não-violência. Gandhi é, também, um símbolo de unidade da Índia, país de 1,3 bilhão de habitantes com distintas etnias, idiomas e religiões em convivência. Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, em 1996, e Luiz Inácio Lula da Silva, em 2004, também homenagearam Gandhi. 

"Os valores da paz e da não-violência influenciaram vários ativistas de direitos humanos e pensadores em todo o planeta. A filosofia de Gandhi é, de alguma forma, muito apolítica e ele é uma figura admirada por quase todas as pessoas. Há estátuas dele em São Paulo, no Rio", exemplifica. "A visita ao memorial é um sinal de honra e respeito aos valores e tradições da cultura indiana".

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