Chang W. Lee/The New York Times
Chang W. Lee/The New York Times

EUA abrem caminho para tirar sigilo de documentos sobre 11 de setembro

Famílias das vítimas pedem que autoridades revelem suposto envolvimento da Arábia Saudita nos ataques

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2021 | 07h00

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos afirmou nesta segunda-feira, 9, que analisará os arquivos sobre os atentados de 11 de setembro de 2001 para determinar se é possível tirar o sigilo de mais algum documento, em meio à pressão de famílias das vítimas para que as autoridades revelem um suposto envolvimento da Arábia Saudita nos ataques.

O anúncio foi feito três dias após centenas de sobreviventes e parentes das vítimas pedirem ao presidente dos EUA, Joe Biden, para que não assista aos atos de comemoração do vigésimo aniversário dos atentados no mês que vem, a menos que novos documentos sobre o ocorrido sejam revelados.

"Meu governo está comprometido em garantir o maior nível de transparência possível sob a lei", declarou Biden em comunicado. Biden disse que o Departamento de Justiça se comprometeu nesta segunda-feira a "realizar uma nova revisão dos documentos" que o governo tem mantido até agora confidenciais, "e a fazê-lo o mais rapidamente possível".

O mandatário não esclareceu se tal revisão será concluída antes do 20º aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001, nem mencionou a Arábia Saudita na declaração.

A comissão do Congresso dos EUA que investigou os ataques concluiu que não havia provas de que o governo saudita ou altos funcionários sauditas forneceram recursos aos terroristas envolvidos nos ataques, 15 deles de origem saudita.

No entanto, vários congressistas e associações de vítimas têm pedido há anos uma maior transparência em relação aos documentos dos EUA sobre os ataques, que todos os presidentes até agora se recusaram a revelar.

Durante a campanha eleitoral, Biden prometeu divulgar o máximo de informação possível, mas as famílias das vítimas afirmam que ele tem ignorado os pedidos sobre o assunto, e têm a certeza de que o governo tem documentos que implicariam os funcionários sauditas em atos de terrorismo.

Na declaração, Biden reconheceu que as famílias das vítimas "estão buscando justiça há 20 anos" e que dá "as boas-vindas" as reivindicações dos ativistas.

Mas também reiterou que respeitará as diretrizes estabelecidas durante o governo de Barack Obama (2009-2017) que permitem restringir a publicação de documentos se o governo considerar que estes divulgam "segredos de Estado".

Isso diminui as expectativas de uma revelação dramática, especialmente antes do 20º aniversário dos ataques, daqui a pouco mais de um mês.

Brett Eagleson, que perdeu o pai, Bruce, no ataque às Torres Gêmeas em Nova York, disse na semana passada que as famílias das vítimas estão "frustradas, cansadas e entristecidas" pelo sigilo do governo dos EUA.

Em entrevista com à NBC News, Eagleson minimizou o possível efeito de uma revisão como a que Biden anunciou nesta segunda-feira, dizendo que os seus antecessores também anunciaram tais investigações e as utilizaram como "táticas de atraso", mas acabaram "protegendo o governo saudita".

Cerca de 3 mil pessoas foram mortas nos ataques planejados pela organização terrorista Al-Qaeda no World Trade Center, em Nova York, no Pentágono e perto de Shanksville, na Penilvânia. /EFE

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