EUA aceitam diálogo direto com Irã

Washington anuncia que participará de um grupo de países que negociará o futuro do programa atômico iraniano

WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

09 de abril de 2009 | 00h00

A Casa Branca informou ontem que participará diretamente de um grupo de diálogo sobre o programa nuclear iraniano. O gesto é mais uma mudança em relação à política do ex-presidente George W. Bush, que se recusava a manter contatos diretos com Teerã.O porta-voz do Departamento de Estado, Robert Wood, disse ontem que, de agora em diante, os EUA estarão na mesa de negociações com diplomatas dos outros quatro países-membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e da Alemanha, que se reunirão com funcionários do governo iraniano para debater a questão nuclear.Wood disse que a decisão foi informada a representantes de Grã-Bretanha, China, França, Alemanha e Rússia durante uma reunião realizada ontem em Londres, pouco depois de o grupo anunciar que convidaria o Irã para participar de uma nova sessão de negociações."Os EUA sempre estiveram comprometidos com o processo. A diferença é que agora nos juntaremos às discussões do grupo", disse Wood, que torce para que o Irã aceite o convite para participar do grupo de diálogo."Se o Irã aceitar, esperamos que esta seja a ocasião para engajar seriamente o país, superar o impasse dos últimos anos e cooperar para acalmar a comunidade internacional sobre o programa nuclear", afirmou Wood. "Qualquer avanço será o resultado de esforços coletivos de todas as partes."O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, disse ontem que seu país gostaria de manter negociações com Washington, desde que o presidente dos EUA, Barack Obama, prove que suas propostas de diálogo são sinceras. A declaração de Ahmadinejad foi a indicação mais forte até agora de que o Irã vê com bons olhos o discurso conciliador do presidente americano. "A nação iraniana dá boas-vindas à mão estendida, se ela realmente tiver como base a honestidade, a justiça e o respeito", afirmou em discurso transmitido pela TV estatal.Ahmadinejad pediu uma "verdadeira mudança de princípios e conteúdo" na política externa americana. "Estamos esperando ainda mudanças verdadeiras e fundamentais por parte de Washington", disse.Hoje, Dia Nuclear Nacional no Irã, analistas acreditam que Ahmadinejad anuncie os últimos avanços atômicos do país, incluindo o domínio do estágio final da produção de combustível nuclear. "Teremos boas novidades nucleares para a honrada nação iraniana amanhã (hoje)", afirmou Ahmadinejad. Segundo a imprensa iraniana, Ahmadinejad anunciará também a inauguração de uma fábrica de combustível nuclear e o teste de uma nova geração de centrífugas. Analistas acreditam que Teerã ainda quer provar que controla totalmente o enriquecimento de urânio em escala industrial, a chave para produzir combustível em grande quantidade e parte mais difícil na produção de energia atômica.ESPIÃA Justiça iraniana acusou ontem formalmente a jornalista americana Roxana Saberi de espionagem. Ela está detida há quase dois meses em uma prisão de Teerã. Ontem, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pediu a libertação imediata da jornalista. AP E REUTERS APROXIMAÇÃORobert WoodPorta-voz do Departamento de Estado dos EUA"Os EUA sempre estiveram comprometidos com o diálogo"Mahmud AhmadinejadPresidente do Irã "O Irã dá boas-vindas à mão estendida se ela tiver como base honestidade, justiça e respeito"

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