EUA acenam com possibilidade de trabalhar com Chávez

O departamento do Estado norte-americano cumprimentou nesta segunda-feira o presidente venezuelano Hugo Chávez pela vitória nas eleições deste domingo, acenando com a possibilidade de um relacionamento mais cooperativo no próximo mandato."Nós vemos no futuro a oportunidade de trabalhar com o governo venezuelano em relação a assuntos de interesse mútuo", disse o secretário de imprensa do departamento, Eric Watnik.Chávez, entretanto, vê sua vitória como uma vitória do contraponto aos Estados Unidos. "É uma derrota para o diabo que tenta dominar o mundo", disse Chávez a uma multidão em Caracas após a divulgação do resultado das eleições. "Abaixo ao imperialismo. Precisamos de um novo mundo", bradou o líder venezuelano, que está desde 1999 no poder.Watnik, no entanto, não felicitou, em nome dos Estados Unidos, Chávez pela vitória e nem fez referência direta a ele, considerando apenas que está em curso, cada vez mais, um processo de autoritarismo no país.O secretário de imprensa informou que Tom Shannon, chefe do departamento dos EUA para a América Latina, elogiou a campanha do principal oponente de Chávez, Manuel Rosales."A oposição demonstrou sua habilidade em fazer uma importante, calma e democrática campanha, obtendo apoio de parte significativa do eleitorado", disse Watnik. Segundo ele, eventuais irregularidades no pleito terão de ser investigadas. "Vamos ver o que a Organização dos Estados Americanos (OEA), a União Européia e os grupos civis observaram do processo eleitoral", acrescentou, informando que há relatórios que mostram processo de intimidação e assédio a eleitores durante a campanha eleitoral, inclusive a meios de comunicação.Na sexta-feira, dois dias antes das eleições, o diretor de inteligência dos EUA, John Negroponte, demonstrou preocupação diante da possível vitória de Chávez. Em discurso na Universidade de Harvard, Negroponte disse que Chávez tem interferido em problemas domésticos de países da região, concedendo apoio material a insurgentes das Forças Armadas Revolucionárias (Farc) da Colômbia.Ele criticou a atitude venezuelana de apoio ao tráfico de drogas na fronteira entre os dois países e os laços crescentes da Venezuela com Irã, Síria e Coréia do Norte, "demonstrando claramente de criar uma coalizão anti-Estados Unidos que se estende além da América Latina", disse Negroponte.

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