EUA acreditam que Al Qaeda atuou na tríplice fronteira

Os Estados Unidos acreditam que a região da fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai abriga simpatizantes ou mesmo membros de grupos associados com os terroristas responsáveis pelos ataques de 11 de setembro em Nova York e Washington, mas não possuem provas conclusivas nesse sentido. "O que sabemos é que se trata de uma região tradicional de contrabando, que há uma população considerável de pessoas do Oriente Médio e que o Hezbolá, do Líbano, tem uma presença na região", disse o secretário de Estado adjunto para a América Latina, Lino Gutierrez, que ocupa o cargo interinamente. "Também há indícios críveis de que a Al Qaeda fez levantamento de fundos lá e estamos investigando, em cooperação com as autoridades locais", acrescentou. "Há ainda indícios circunstanciais ligando pessoas da região da fronteira com dois atentados contra organizações judaicas ocorridos na Argentina, durante o governo de Carlos Meném. Mas não estou preparado para dizer mais do que isso", completou. A identificação e intercepção das atividades financeiras das redes terroristas foi a principal preocupação da reunião da Financial Action Task Force, um organismo internacional formado por 29 países, entre ele o Brasil. A entidade concluiu hoje uma reunião de emergência de dois dias em Washington. A presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), Adrienne Senna, representou o País no encontro. Um dos dez países que já atende a todas às 40 recomendações do grupo, o Brasil deverá assinar a Convenção das Nações Unidas sobre Supressão de Financiamento do Terrorismo Internacional, de 1999, durante a visita que o presidente Fernando Henrique Cardoso fará à ONU na semana que vem, para pronunciar o discurso inaugural da Assembléia Geral. Segundo Adrienne Senna, o Brasil é, de longe, o país mais ativo e legalmente preparado na América Latina para o combate ao crime. Este fato, segundo ela, torna pouco provável "que terroristas ou simpatizantes realizem atividades financeiras no Brasil, quando é mais fácil fazê-lo no Paraguai e na Argentina, que têm legislações mais fracas e quase não as aplicam". Gutierrez indicou que não é razoável esperar que os EUA saibam mais sobre a ação de possíveis células terroristas na fronteira do Brasil, Argentina e Paraguai do que sabia sobre os movimentos de tais grupos em seu próprio território antes e depois dos ataques de 11 de setembro. Para ele, o fato de que vários dos terroristas envolvidos nos seqüestros dos aviões usados como mísseis contra o World Trade Center e o Pentágono terem vivido nos EUA "durante meses" sem serem detectados mostra que "a nossa inteligência têm falhas em casa, para não dizer nada do exterior". A franqueza do diplomata é parte de uma ofensiva de relações públicas que Washington iniciou nos últimos dias na América Latina, com entrevistas e a divulgação de informações em português e espanhol. O intuito é explicar os objetivos dos EUA na guerra contra o terrorismo e responder aos crescentes sentimentos antiamericanos que os bombardeios do Afeganistão alimentam na região. Gutierrez disse que o governo de Washington está "muito satisfeito "com a cooperação que vem recebendo do Brasil na campanha contra o terrorismo e destacou o papel de liderança regional que o País assumiu com a iniciativa de invocar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, ou Tratado do Rio, na Organização dos Estados Americanos, como resposta política aos atos terroristas de 11 de setembro. O alto funcionário norte-americano disse que um dos efeitos óbvios dos eventos de 11 de setembro foi diminuir a tolerância ao terrorismo. "Por isso, nós apoiamos a decisão do presidente Andrés Pastrana (da Colômbia) de renovar por apenas três meses o ´despeje´", disse ele, referindo-se à área sob o controle dos guerrilheiros das Forças Armadas de Libertação da Colômbia, as FARC. Mas isso não significa que Washington estenderá a guerra contra o terrorismo às Farc, indicou ele, corrigindo impressão em contrário deixada por declarações recentemente atribuídas a outro diplomata dos EUA. "A guerra é contra organizações terroristas com alcance global", disse. "Não vamos invadir a Colômbia." Leia o especial

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