EUA acreditam que amanhã aprovam resolução sobre Iraque

Os EUA estão confiantes em pôr em votação no Conselho de Segurança (CS) da ONU, nesta sexta-feira, sua proposta de resolução sobre o Iraque, especialmente depois de os presidentes americano, George W. Bush, e francês, Jacques Chirac, terem chegado a um acordo sobre os termos. A porta-voz da presidência da França, Catherine Colonna, anunciou hoje que os dois líderes mantiveram uma conversa por telefone sobre os pontos sobre os quais ainda havia divergências e a França espera a aprovação do texto, amanhã, por votação unânime do CS. O embaixador russo, Serguei Lavrov, disse ser possível uma votação amanhã, se EUA e Grã-Bretanha fizerem algumas concessões.Chirac - bem como a Rússia - queria assegurar-se de que o texto não permite o recurso automático à força no caso de o Iraque não se desarmar e impuser obstáculos ao trabalho dos inspetores da ONU. "Surgiu uma dinâmica positiva e esperamos que se consiga logo um consenso no Conselho de Segurança", frisou Catherine. Bush também conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, mas o Kremlin não informam se houve acordo.Ao mesmo tempo, em Washington, durante sua primeira entrevista coletiva após as eleições de terça-feira, Bush se declarou otimista sobre a aprovação do texto, e disse esperar que a questão iraquiana seja resolvida pacificamente. "A resolução é uma resolução de desarme, é uma resolução cujo objetivo é desarmar (o presidente iraquiano) Saddam Hussein, de uma vez e para sempre", afirmou. "É hora de o mundo unir-se para desarmá-lo."Indagado por jornalistas sobre os motivos de estar preparado para usar a força contra o Iraque, mas não contra a Coréia do Norte (país que declarou possuir um programa de armas nucleares), Bush disse: "Eu também me preocupo com a Coréia do Norte. Mas vamos lidar com cada ameaça de um modo diferente. Com a Coréia do Norte estamos adotando uma estratégia diferente no início. Vamos conversar com países vizinhos para convencer a Coréia do Norte de que não interessa ao mundo que eles desenvolvam armas nucleares."Dos cinco membros permanentes do CS, com direito a veto, a Grã-Bretanha, aliada dos EUA, endossa a resolução. Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Kong Qyan, afirmou em Paris que desapareceram algumas das preocupações chinesas sobre o texto, mas não adiantou como o país votará. O governo da China tem manifestado apoio a um texto centrado no breve retorno dos inspetores ao Iraque, sem referências à ameaça de uso da força.Os EUA haviam exposto aos membros do CS em setembro, com o apoio dos britânicos, um texto duro, que permitiria usar a força contra o Iraque caso se considerasse que o país não estava cumprindo as determinações da ONU. O texto desagradou à Rússia, China e França, levando os americanos a apresentar uma nova versão na quarta-feira. Mas o novo texto não satisfez totalmente a russos e franceses porque deixa entrever que os EUA poderiam intervir no Iraque, se julgarem que esse país desobedece às resoluções. França, Rússia e China querem que a avaliação sobre se há ou não violação fique a cargo do CS.

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