EUA acusados de ataque a aldeia no Paquistão; 18 mortos

Explosões registradas nas primeiras horas de hoje, sexta-feira, em uma aldeia paquistanesa resultaram na morte de, pelo menos, 18 pessoas em Damadola, aldeia que fica a 200 quilômetro de Islamabad, capital paquistanesa. Autoridades locais alegaram que a explosão teria sido causada por um míssil disparado através da fronteira com o Afeganistão, mas um deputado local assegurou que o ataque aéreo foi promovido pelos Estados Unidos.Um funcionário do governo do Afeganistão assegurou que nenhum míssil foi disparado na direção do Paquistão, pelo lado afegão da fronteira. O Exército americano alegou não dispor de nenhuma informação sobre o episódio. Trata-se do segundo ataque em uma semana atribuído aos EUA dentro do Paquistão, com alto número de mortos.O ministro de Informação do Paquistão, xeque Rashid Ahmed, disse que "seria necessário algum tempo" para determinar quem é o responsável pelas explosões que resultaram nas mortes.Sob condição de anonimato, um oficial do Exército disse que a casa atacada pertencia a Gul Zaman, um ancião de Bajur. Além dos 18 mortos, pelo menos duas pessoas ficaram feridas.Em entrevista à Associated Press, moradores da aldeia contaram que "viram um avião de espionagem orientando os caças de combate que atacaram a casa de Gul Zaman". Três imóveis vizinhos também foram destruídos.Rashid exigiu explicações do governo paquistanês e informou que a população local protagonizará um protesto amanhã. "Nosso povo diz que os americanos fizeram isso. Se for verdade, o Paquistão precisa protestar formalmente contra o governo americano pelo assassinato de pessoas inocentes", disse ele.No último sábado, um míssil atingiu a casa de um clérigo islâmico em outra aldeia paquistanesa próxima da fronteira afegã. Oito pessoas morreram. Moradores atribuíram o ataque a helicópteros americanos. O governo do Paquistão protestou formalmente contra o Exército dos EUA no Afeganistão. Militares americanos negaram o bombardeio.O Paquistão, um aliado estratégico da Casa Branca em sua guerra contra o "terrorismo", alega que não permite a ação de soldados americanos e afegãos em seu território.Acredita-se que grupos como a rede extremista Al-Qaeda, a milícia fundamentalista islâmica Taleban e soldados leais ao renegado senhor da guerra, Gulbuddin Hekmatyar, sejam bastante ativos na fronteira, motivo pelo qual o Exército paquistanês mantém cerca de 70.000 soldados na região.

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