EUA acusados de tirar proveito de ajuda humanitária

Países europeus e outros governos, inclusive o do Brasil, acusam os Estados Unidos de estarem se utilizando da ajuda alimentar que enviam para países pobres como forma de aumentar suas próprias exportações agrícolas e de tornar os países afetados pela fome dependentes financeiramente de Washington.A Casa Branca estaria condicionando a ajuda financeira para os países à compra de alimentos dos EUA. Com uma situação econômica cada vez pior, os países pobres acabam se endividando para receber a ajuda humanitária. "Exatamente quando o mundo debate como fazer para reduzir as dívidas dos países pobres, outros governos adotam práticas que vão em direção contrária", afirma um diplomata europeu.Para piorar ainda mais a situação, a ajuda dos Estados Unidos estaria comprometendo os preços das commodities e, portanto, afetando o desempenho da exportação de alguns países, entre eles o do trigo argentino e da soja brasileira.Diante dessa situação pouco "humanitária", Bruxelas quer que a Organização Mundial do Comércio (OMC) comece a regular essas práticas, sem que isso signifique uma queda na ajuda alimentar dada pelos países ricos aos governos mais pobres.A idéia é que os países que recebam a ajuda tenham a liberdade de comprar alimentos de quem quiser e não fiquem condicionados a comprar dos doadores de dinheiro. Outra possibilidade é que a ajuda financeira seja destinada à compra de produtos locais, quando possível. Dessa forma, o setor produtivo do país afetado pela fome poderia ser incentivado.A União Européia (UE) ainda propõe que a ajuda somente poderia ser dada onde existisse uma situação de emergência reconhecida por autoridades competentes. Para isso, Bruxelas sugere a criação de uma entidade internacional que monitore de que forma a ajuda alimentar é dada.

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