EUA acusam Berlusconi de tentar controlar a mídia, revela WikiLeaks

Lei de imprensa do premiê dá margem para governo exercer censura, escreve embaixador em Roma

estadão.com.br

13 de dezembro de 2010 | 21h17

MADRI - O embaixador dos EUA em Roma, David Thorne, afirmou que o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, tenta controlar o conteúdo que é publicado na internet, segundo documentos divulgados pelo site WikiLeaks nesta segunda-feira, 13, e publicado pelo jornal espanhol El País.

 

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Na nota, datada de 3 de fevereiro de 2010, Thorne diz que a Lei Romani, que entrou em vigor em março e regula o uso da internet e da televisão paga na Itália, "dá ao governo margem para bloquear ou censurar qualquer conteúdo" e "favorece as empresas de Berlusconi frente aos seus concorrentes".

 

O documento ainda cita um "infame" projeto do governo que previa que todos os blogueiros fossem obrigados a ter uma autorização do governo italiano para exercer a função de jornalista.

 

O embaixador escreve que, se a lei seguir adiante como está, "estabeleceria um precedente para que nações como China possam copiá-la ou citá-la como justificativa para seus próprios ataques contra a liberdade de expressão. Segundo o governo italiano, a norma prevê apenas a luta contra a pirataria e a proteção de direitos autorais.

 

Thorne, porém, afirma que as afirmações "são suspeitas". "A lei parece ter sido concebida para dar ao governo via livre para censurar ou bloquear qualquer conteúdo de internet se o julgar difamatório ou que corresponde a uma atividade criminal", escreveu.

 

Na mesma nota, a embaixada admite que os EUA levaram anos pressionando a Itália a aprovar leis que evitem os downloads ilegais. "Nesse tempo, a Itália fez muito pouco, e agora faz uma lei que avança de repente e cria uma regulação muito estrita", diz o documento, levantando suspeitas sobre as intenções do governo.

 

O WikiLeaks começou a divulgar no fim de novembro mais de 250 mil documentos diplomáticos secretos dos EUA, revelando segredos e os bastidores da política externa americana e causando desconforto em Washington e em outros governos.

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