Katherine Taylor/Reuters
Katherine Taylor/Reuters

EUA acusam chefe do Departamento de Química de Harvard de espionar para a China

Prisão de Charles Lieber é o mais recente desenvolvimento de uma longa saga de um suposto esquema de roubo de propriedade intelectual

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2020 | 08h00

NOVA YORK - Os promotores americanos acusaram um acadêmico da Universidade de Harvard de esconder seu suposto papel em um programa do governo chinês que, segundo autoridades de segurança, rouba segredos comerciais de outros países.

A prisão, na terça-feira, do americano Charles Lieber, diretor do Departamento de Química e Biologia Química de Harvard, especializado em nanociência, é o mais recente desenvolvimento de uma longa saga de um suposto esquema de roubo de propriedade intelectual.

A justiça americana investiga centenas de casos de supostos roubos de cientistas chineses trabalhando nos Estados Unidos ou visitando o país. Dois outros cientistas, ambos chineses, também foram indiciados na terça-feira, informou o Departamento de Justiça, em comunicado.

Um deles é um estudante de ciências da Universidade de Boston que, segundo os promotores, não informou às autoridades de imigração dos EUA de que ele também era membro das forças armadas chinesas, o Exército de Libertação Popular.

O outro é um pesquisador de câncer acusado de tentar remover 21 frascos contendo pesquisa biológica dos Estados Unidos. Ele foi preso no aeroporto de Boston, em 30 de dezembro.

A prisão de Lieber, de 60 anos, é incomum por ele não ter origem chinesa e ser uma figura proeminente em uma das universidades mais respeitadas do mundo.

'Cientista estrategista'

Os promotores dizem que a China empregou Lieber como "cientista estrategista" e pagou a ele um salário de US$ 50 mil por mês, além de até US$ 158 mil por ano em despesas. Eles também dizem que ele recebeu mais de US$ 1,5 milhão para instalar um laboratório na Universidade de Tecnologia de Wuhan, local com o maior número de infectados pelo coronavírus e que segue em quarentena na China.

Eles alegam que Lieber mentiu duas vezes sobre sua afiliação à Universidade Wuhan e disse que não estava envolvido no Plano de Mil Talentos do governo chinês. Como destinatário de mais de US$ 15 milhões em fundos de pesquisa do governo, Lieber tem de relatar qualquer eventual conflito de interesse financeiro estrangeiro, incluindo apoio financeiro de governos ou entidades estrangeiras.

O programa Mil Talentos busca recrutar especialistas internacionais em pesquisa científica, inovação e empreendedorismo. Mas o governo dos EUA descreveu isso como uma ameaça à segurança nacional.

"Essa é uma pequena amostra da campanha em andamento da China para absorver o conhecimento e a tecnologia americanos para seu próprio benefício", afirmou o procurado do Estado do Massachusetts, Andrew Lelling. / AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.