REUTERS/Eric Gaillard/File Photo
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EUA acusam chineses de tentarem roubar dados de vacina contra o coronavírus

Dois suspeitos na China atacaram empresas que trabalham com vacinas como parte de uma campanha mais ampla de roubo cibernético para enriquecer e ajudar o governo chinês, disseram autoridades

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2020 | 14h36
Atualizado 21 de julho de 2020 | 21h21

WASHINGTON - O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou nesta terça-feira, 21, dois hackers chineses de tentarem roubar dados para favorecer o desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus. Eles estariam atuando para o serviço de inteligência do país como parte de uma campanha mais ampla de anos de roubo cibernético.

O foco dos hackers envolve uma gama variada de indústrias, de companhias da área de defesa a fabricantes de energia solar. As autoridades do Departamento de Justiça disseram que os suspeitos às vezes trabalhavam em nome dos serviços de espionagem da China e, por vezes, para enriquecer. Uma acusação contra eles no início deste mês foi a primeira ação para tentar debelar essa ameaça.

Não houve indícios imediatos de que os dois hacker conseguiram obter alguma informação válida sobre as vacinas que estão sendo criadas, apesar de seus esforços para espionar as empresas que estão desenvolvendo o produto. 

Um dos promotores disse que a rede de informática de uma empresa de biotecnologia de Massachusetts, conhecida por investigar uma possível vacina contra o novo coronavírus foi alvo de espionagem dos dois chineses – o nome não mencionado, mas acredita-se que seja o laboratório Moderna. 

Eles também buscaram vulnerabilidades na rede de uma empresa em Maryland, menos de uma semana depois de ela anunciar que estava realizando um trabalho científico similar.

Xiaoyu e Jiazhi também são acusados de lançarem ataques contra ativistas dos direitos humanos nos EUA, na China e em Hong Kong, disse o assistente do Departamento de Justiça John Demers. De acordo com ele, os hackers estariam na China, fora do alcance da polícia americana.

“A China entrou, ao lado de Rússia, Irã e Coreia do Norte, nesse vergonhoso clube de nações que dá abrigo a hackers em troca de trabalho em benefício do Estado. Nesse caso, para alimentar a fome insaciável do Partido Comunista chinês pela propriedade intelectual obtida com esforço pelas companhias americanas e de outros países, incluindo a investigação sobre a covid-19”, disse Demers.

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Segundo os americanos, os acusados se conheceram quando estudavam engenharia na China e começaram a atuar em 2009. Desde então, roubaram segredos comerciais e de propriedade intelectual avaliados em centenas de milhões de dólares, mas nunca chegaram a ser presos. Nesse período, os hackers atacaram pelo menos 13 empresas nos EUA e 12 companhias em outros 10 países: Austrália, Bélgica, Alemanha, Japão, Lituânia, Países Baixos, Coreia do Sul, Espanha, Suécia e Reino Unido.

Os acusados atacaram organizações de todo tipo e roubaram informações sobre programas militares para proteger satélites, sistemas laser de grande potência e até um programa que buscava melhorar a integração entre helicópteros e navios de assalto anfíbios.

A acusação surge no momento em que o governo do presidente americano, Donald Trump, intensifica suas críticas a Pequim – tanto pelo roubo de segredos quanto por não conter a propagação da pandemia do coronavírus, e consolida uma escalada significativa na deterioração das relações entre os dois países.

Conflito

Ainda nesta terça-feira, em tom beligerante, o secretário de Defesa dos EUA,  Mark Esper, disse que a China apresenta um “catálogo de má conduta” em sua relação com os vizinhos, e os EUA precisam estar prontos para derrotá-la militarmente no Pacífico. A avaliação foi feita  durante um seminário online do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. / NYT, AFP e REUTERS 

 

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