EUA acusam militantes afegãos de usar fósforo branco

Militares dizem que pelo menos 44 incidentes em áreas civis foram registrados com a substância inflamável

Agência Estado e Associated Press,

11 de maio de 2009 | 13h47

Militares norte-americanos acusaram nesta segunda-feira, 11, militantes do Afeganistão de usarem munições de fósforo branco em ataques contra forças dos Estados Unidos e em áreas civis, afirmando ter documentado pelo menos 44 incidentes de insurgentes usando ou estocando essas armas. Uma porta-voz rotulou os ataques como "censuráveis".

 

O fósforo branco é um material que se inflama espontaneamente e que causa sérias queimaduras. O uso do fósforo branco para iluminar um alvo ou criar fumaça é considerado legítimo sob a lei internacional, mas grupos de direitos humanos dizem que seu uso em áreas povoadas pode queimar civis indiscriminadamente e constitui um crime de guerra.

 

Os militares norte-americanos disseram que há pelo menos sete exemplos nos quais militantes usaram fósforo branco em ataques improvisados desde a primavera de 2007, incluindo ataques em áreas civis. Os documentos militares mostraram 12 ataques nos quais foi usado fósforo branco em ataques com morteiros ou foguetes, as maioria dos quais ocorreu nos últimos dois anos.

 

Os militares norte-americanos usam fósforo branco no Afeganistão para iluminar o céu noturno e para formar cortinas de fumaça. O mais recente ataque militante com fósforo branco ocorreu na última quinta-feira, quando um posto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Logar foi atingido por suas rodadas indiretas de fósforo branco, dizem os documentos. A maioria parte das tropas de Logar, que fica ao sul de Cabul, é formada por norte-americanos

 

Autoridades afegãs também dizem que combatentes do Taleban usaram um agente que causa queimaduras - possivelmente fósforo branco - numa importante batalha em 4 de maio, depois que médicos descobriram queimaduras pouco comuns nos mortos e feridos. O presidente Hamid Karzai disse que cerca de 130 civis morreram nos confrontos. Os Estados Unidos acusam os militantes de deliberadamente colocar os civis em perigo.

 

Envenenamento

 

Médicos investigam a possibilidade de dezenas de estudantes terem sido envenenadas numa escola secundária do norte do Afeganistão nesta segunda-feira. Sessenta e uma meninas foram levadas ao hospital com súbitos problemas de saúde. O doutor Khalil Farangi disse que 61 estudantes e uma professora da escola Hora Jalaly, na província de Parwan, a noroeste de Cabul, apresentaram sintomas como irritabilidade, choro e confusão. Várias meninas desmaiaram.

 

A hospitalização em massa ocorreu cerca de duas semanas depois de um incidente similar em Parwan, onde dezenas de meninas tiveram de ser levadas ao hospital depois de adoecerem, segundo funcionários afegãos, em razão dos fortes vapores ou possivelmente uma nuvem de gás tóxico.

 

O Taleban e outros grupos extremistas conservadores no Afeganistão se opõem à educação de meninas, que não tinham permissão para frequentar escolas durante o regime do Taleban (1996-2001). Embora não esteja claro se o incidente desta segunda-feira tenha sido um ataque, militantes do sul já atacaram estudantes do sexo feminino jogando ácido em seus rostos e queimando escolas como protesto contra o governo. Várias escolas afegãs tiveram de ser fechadas por causa da violência.

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