EUA acusam Pequim de romper sanções da ONU contra Teerã

Empresas chinesas estariam fornecendo tecnologia e materiais restritos para programas militares do Irã

Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE/ WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2010 | 00h00

Depois de pressionar a Rússia e o Japão a abandonar negócios com o Irã, os EUA agora acusam empresas chinesas de romper as sanções do Conselho de Segurança da ONU e fornecer tecnologia e materiais restritos para programas militares de Teerã.

Membro permanente do Conselho de Segurança, a China resistiu o quanto pôde às sanções, finalmente aprovadas em junho com o seu voto favorável. Agora, se converteu em possível alvo de retaliações unilaterais de Washington. A notícia da pressão sobre a China surgiu no momento em que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, mais uma vez declarou-se disposto a negociar com o chamado P5+1 (EUA, China, Rússia, França, Grã-Bretanha e Alemanha) um acordo de troca de urânio levemente enriquecido por combustível para a usina de pesquisas de Teerã. O anúncio foi confirmado por Ahmadinejad, mas recebido com ceticismo pela diplomacia americana. "O Irã diz estar pronto para conversar. Agora, precisa se comprometer com uma data. O Irã conhece o número de telefone. Nós estamos esperando uma resposta formal", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Philip J. Crowley.

A edição de ontem do jornal The Washington Post informou que, em sua visita a Pequim em setembro, o conselheiro especial do Departamento de Estado, Robert J. Einhorn, apresentou uma "lista significativa" de companhias e bancos chineses violadores das recentes sanções contra o Irã e pressionou as duas principais petroleiras do país - China National Petroleum Corp. e China Petroleum & Chemical Corp. - a parar ou limitar seus investimentos no país. O Irã fornece 8% do petróleo consumido pela China, que é um dos seus principais parceiros comerciais.

Pressão. De acordo com os documentos apresentados por Einhorn em Pequim, além da tecnologia restrita, empresas chinesas teriam fornecido fibra de carbono de alta qualidade. Trata-se de material usado em usinas de enriquecimento de urânio. Os negócios listados teriam ocorrido antes e depois da aprovação das mais recentes sanções contra o Irã pelo CS.

Até o momento, a documentação tem servido como instrumento de pressão, mas os EUA mostram-se cautelosos. Oficialmente, Washington refere-se às violações das sanções contra o Irã como uma atitude de companhias chinesas e não de seu governo.

A Casa Branca ainda pondera que Pequim não completou a adoção de regras burocráticas e de controles para a exportação de tecnologia sensível. Com base nessa posição, Washington não fala em sanções unilaterais contra a China. Mas deixa claro que as empresas chinesas estão na sua mira.

"Qualquer empresa chinesa com forte aposta em uma boa relação de negócios com os EUA deve ter em mente as leis dos EUA", afirmou a fonte do Washington Post.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.