EUA acusam Rússia de invadir espaço aéreo da Ucrânia e renovam alertas

Washington diz que caças russos entraram em território ucraniano e lidera onda de retaliações contra Moscou que, segundo Kiev, quer levar o mundo para a 3.ª Guerra

O Estado de S. Paulo,

25 de abril de 2014 | 22h52

KIEV - Em meio a tensão e demonstrações de força de várias partes envolvidas na crise ucraniana, o porta-voz do Pentágono, Steve Warren, acusou na sexta-feira, 25, a Rússia de ter invadido com caças o espaço aéreo da Ucrânia "várias vezes" desde quinta-feira. Após sinais de que os EUA pretendem liderar uma nova onda de sanções contra Moscou, Warren pediu que a Rússia contenha suas ações.

O governo interino da Ucrânia assegurou que qualquer incursão de forças russas pela fronteira será tratada como "invasão" e os responsáveis pela ação "serão mortos", segundo Serhi Pashynski, chefe de gabinete do presidente interino, Oleksander Turchinov. "Não aceitaremos falsas alegações sobre ações humanitárias", afirmou.

O primeiro-ministro ucraniano interino, Arseni Yatseniuk, afirmou que a Rússia busca iniciar a 3.ª Guerra ocupando a Ucrânia "militar e politicamente". No embate verbal, Moscou respondeu dizendo que Kiev enfrentará a Justiça por cometer um "crime sangrento" no leste da Ucrânia, onde forças ucranianas mataram, na véspera, cinco insurgentes pró-Rússia.

Valeri Bolotov, líder separatista pró-Rússia, declarou-se prefeito de Luhansk (Foto: Zurab Kurtsikidze/EFE)

Num pronunciamento transmitido pela TV, Yatseniuk afirmou que a ocupação russa da Ucrânia criará um conflito que poderá se espalhar pelo restante da Europa. "O mundo ainda não esqueceu a 2.ª Guerra, mas a Rússia já quer começar uma 3.ª", declarou o premiê.

A tensão subiu no país um dia depois de a Rússia iniciar exercícios militares na fronteira ucraniana em resposta à operação que matou os cinco rebeldes. O vice-ministro das Relações Exteriores ucraniano, Danylo Lubkivski, disse nesta sexta temer por uma invasão iminente da Rússia. "Nós temos informações de que estamos em perigo", declarou Lubkivski a repórteres, na sede da ONU, em Nova York.

Forças ucranianas também lançaram na sexta-feira a segunda fase de sua operação "antiterror" no leste do país, montando um cerco completo a Slaviansk. O chefe da operação militar, o general Vasyl Krutov, garantiu que as forças ucranianas não atacariam a cidade para evitar vítimas entre a população civil.

Na cidade, forças pró-Rússia detiveram uma equipe de observadores militares que viajava pelo sudeste ucraniano com membros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). A porta-voz da prefeitura, Stella Khorosheva, disse que o grupo tinha em seu poder "materiais suspeitos", mas estava desarmado e seria solto após investigação.

Para Moscou, ao conduzir operações no leste, Kiev está "travando uma guerra contra seu próprio povo". "Esse é um crime sangrento e aqueles que levaram o Exército a fazer isso pagarão e enfrentarão a Justiça", disse o chanceler russo, Serguei Lavrov, numa reunião com diplomatas.

Abusos

O Tribunal Penal Internacional (TPI) abriu uma averiguação preliminar sobre a possibilidade de que abusos dos direitos humanos tenham sido cometidos na Ucrânia. Segundo a procuradora-chefe, Fatou Bensouda, a investigação atendeu ao pedido de Kiev, feito na semana passada, para assumir uma "jurisdição limitada" sobre o país, que é não é integrante do TPI.

O Parlamento ucraniano pediu que a corte verifique se o presidente deposto Viktor Yanukovich cometeu abusos ao lidar com os protestos iniciados em novembro, incluindo a morte de cem pessoas em Kiev. Yanukovich vive atualmente na Rússia. / REUTERS e AP

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