Alex Wong/AFP
Alex Wong/AFP

EUA acusam Rússia de violar tratado nuclear e ameaçar a Otan

Segundo o vice-comandante do Estado-Maior das Forças Armadas americanas, míssil de cruzeiro disparado por Moscou no mês passado representa um risco

O Estado de S.Paulo

08 de março de 2017 | 20h31

WASHINGTON - O vice-comandante do Estado-Maior das Forças Armadas americanas, o general Paul Selva, acusou nesta quarta-feira a Rússia de ter mobilizado um míssil de cruzeiro que viola “o espírito e a intenção” de um tratado de controle de armas. O equipamento, de lançamento em base terrestre, é uma ameaça à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), disse Selva.

Foi a primeira acusação pública de um militar americano a respeito da mobilização desde que relatos do mês passado indicaram que a Rússia montou secretamente o míssil de cruzeiro SSC-8, que Moscou está desenvolvendo e testando há vários anos, apesar de os Estados Unidos se queixarem de que ele viola artigos do tratado Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês), assinado em 1987. Os EUA já acusaram os russos de violar o tratado em duas ocasiões anteriores – em 2014 e em 2015.

“O sistema em si representa um risco à maioria de nossas instalações na Europa e acreditamos que os russos o mobilizaram deliberadamente para ameaçar a Otan e instalações dentro da área de responsabilidade da Otan”, afirmou Selva durante uma audiência do Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Deputados. Ele não especificou se o míssil tornado operacional pelo Kremlin está carregado com ogivas nucleares. Segundo informações já conhecidas, o SSC-8 seria capaz de levar até cerca de meia tonelada de carga explosiva.

Selva disse que os Estados Unidos abordaram o assunto em diálogo com Moscou, mas não esclareceu quais opções estão sendo cogitadas caso as discussões não deem resultado. Ele acrescentou, porém, que “nos pediram para incorporar um conjunto de opções na análise de posição nuclear”.

Em entrevista concedida à Reuters no mês passado, o presidente americano, Donald Trump, disse que abordará o tema da mobilização do sistema de mísseis com seu colega russo, Vladimir Putin, “se e quando nos reunirmos”. / REUTERS

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