REUTERS/Ammar Abdullah
REUTERS/Ammar Abdullah

EUA acusam Síria de preparar novo ataque químico e lançam ultimato

Casa Branca disse que presidente sírio e seu Exército ‘pagarão um preço alto’ se conduzirem um ataque com armas químicas; para Kremlin, avisos são inaceitáveis

O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2017 | 08h05
Atualizado 27 de junho de 2017 | 20h14

WASHINGTON - Sob a alegação de que a Síria prepara um novo ataque com armas químicas, os EUA afirmaram nesta terça-feira, 27, que Damasco pagará um “alto preço” caso isso ocorra. O ultimato dá à Casa Branca uma justificativa para agir caso esse armamento seja usado, o que permitiria a Donald Trump marcar diferenças com o antecessor. Em 2012, Barack Obama prometeu responder militarmente a esse tipo de ação e não agiu. 

Em abril, seu sucessor autorizou um ataque aéreo contra uma base militar do regime sírio de onde teriam partido os aviões com munição química lançada sobre a Província de Idlib. A ação do governo sírio matou 70 civis. O agente utilizado contra a população, segundo as principais suspeitas, seria o gás sarin. 

O Pentágono declarou hoje que o Exército americano detectou novas atividades relacionadas a armas químicas na mesma base. “Há indícios de preparações para o uso de armas químicas na Base Aérea de Shayrat”, disse o capitão Jeff David, porta-voz do Pentágono. 

A Casa Branca afirmou em comunicado que os preparativos pelo governo da Síria são semelhantes aos realizados antes do ataque com armas químicas no dia 4 de abril, que matou dezenas de civis e fez com que o presidente americano, Donald Trump, ordenasse o lançamento de um míssil em uma base aérea da Síria

Apoiado pela Rússia, Assad nega as acusações de que suas forças tenham utilizado armas químicas contra a cidade rebelde de Khan Shikhoun, em Idlib. O sírio assegura que seu regime entregou, em 2013, todas as armas químicas que tinha em seu poder com base no acordo negociado com a Rússia, para evitar a ameaça de um ataque dos EUA. O pacto foi posteriormente referendado pelo Conselho de Segurança da ONU.

A coalizão internacional liderada pelos EUA na Síria apoia as forças que tentam retomar Raqqa das mãos do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) e também ajudam as forças rebeldes que combatem os jihadistas na cidade iraquiana de Mossul. O conflito sírio, iniciado em 2011 com um protestos contra Assad, transformou-se em uma guerra civil que já deixou 320 mil mortos e hoje envolve diversos atores. 

Principal aliada internacional de Damasco, a Rússia rebateu hoje as suspeitas da Casa Branca, que considerou “inaceitáveis”. “Não estou ciente de nenhuma informação sobre uma ameaça de que armas químicas podem ser usadas”, disse o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov. “Certamente, consideramos tais ameaças para a liderança legítima da República Árabe da Síria inaceitáveis.”

O porta-voz de Moscou argumentou que, apesar de todos os pedidos russos, não houve uma investigação internacional imparcial sobre o emprego de substâncias químicas no que chamou de “tragédia de abril”. 

Por esse motivo, segundo ele, a Rússia não pode responsabilizar o regime sírio pelo incidente e disse que “existe um perigo potencial” de que se repitam “provocações” com uso de armas químicas na Síria para culpar Assad. “Os terroristas do Estado Islâmico e outros grupos criminosos já usaram substâncias tóxicas mais de uma vez”, afirmou Peskov. 

As ameaças de Washington coincidiram hoje com a visita de Assad às tropas russas destacadas na base aérea síria de Khmeimim, na Província de Latakia, onde o líder foi recebido pelo chefe do Estado Maior da Rússia, Valeri Gerasimov.

A presidência síria informou em comunicado que Assad fez um percurso pelo aeroporto militar, onde viu de perto os aviões e carros de combate russos, e conversou com oficiais. Assad inspecionou um avião do tipo Su-35, “um dos mais modernos do mundo”, destacaram os sírios. / REUTERS, AFP e EFE 

 

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