EUA acusam Síria de voltar a usar Scuds contra insurgentes

Investigadores da ONU também sugerem que tropas leais a Assad empregam força 'desproporcional'

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2012 | 02h08

A Casa Branca acusou ontem o governo Sírio de voltar a usar mísseis Scud contra alvos controlados por rebeldes, apesar de advertências feitas pelos EUA e outras nações, que consideram o uso do armamento um sinal da escalada da crise.

Um funcionário do governo americano, que pediu anonimato por se tratar de informação classificada como sigilosa, disse à AP que o uso de Scuds foi confirmado pela Otan e o Pentágono.

Na semana passada, funcionários do Departamento de Defesa americano divulgaram que o regime de Assad havia disparado meia dúzia de mísseis Scud de Damasco contra opositores no norte da Síria.

Ontem a ONU também alertou para a escalada do conflito no país. Investigadores independentes encontraram evidências de que as forças leais a Assad aumentaram os bombardeios aéreos, incluindo a hospitais, classificando-os como "desproporcionais". Segundo os investigadores, tanto rebeldes como as forças leais a Assad atuam "cada vez mais em violação às leis internacionais".

O relatório da ONU, coordenado pelo especialista brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, conclui ainda que a guerra na Síria se tornou dividida ao longo de linhas sectárias, com a comunidade alauita, atualmente no poder, contra a maioria sunita, e combatentes estrangeiros ajudando ambos os lados. "O conflito se tornou abertamente sectário em sua natureza", revela. Ameaçadas e sob ataque, minorias étnicas e religiosas estariam se alinhando a um dos lados.

A maioria dos "combatentes estrangeiros" que se uniu a grupos rebeldes ou luta de forma independente com eles é sunita, de países do Oriente Médio e do norte da África. O grupo xiita libanês Hezbollah confirmou que seus integrantes estão na Síria combatendo ao lado do governo. Também há informações de que xiitas iraquianos tenham se envolvido nos conflitos e o Irã confirmou em setembro que suas Guardas Revolucionárias estão dando ajuda à Síria.

Crise. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 88 hospitais públicos e cerca de 200 clínicas foram danificadas ou destruídas no conflito, deixando muitos sem acesso à saúde. Diabéticos não encontram insulina, pacientes renais não conseguem chegar aos centros de diálise. Cidades estão sem purificação de água. Centenas de milhares de pessoas deslocadas pelos combates estão expostos ao frio em tendas. "Estamos falando de uma crise de saúde pública em grande escala", disse à AP Abdalmajid Katranji, cirurgião de Michigan, nos EUA, que regularmente serve como voluntário na Síria. / JAMIL CHADE, COM AP e REUTERS

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