EUA admitem conversar com a Síria e o Irã sobre Iraque

A Casa Branca deu indicações de que estaria disposta a iniciar negociações com Irã e Síria sobre a participação dos dois países no gerenciamento da guerra no Iraque. O ex-secretário de estado americano James Baker, que lidera o Grupo de Estudos Sobre o Iraque, está à frente de uma delegação que vai à Casa Branca nesta segunda-feira para discutir o assunto com o presidente George W. Bush. Espera-se que o grupo de estudos, formado por notoriedades ligadas aos dois grandes partidos americanos, entregue os resultados de suas avaliações antes do final de 2006. Entre as recomendações que devem ser feitas está a inclusão de Teerã e Damasco no processo de gerenciamento da crise. O chefe de gabinete da Casa Branca, Josh Bolten, afirmou em entrevista à rede de TV americana ABC, que o presidente Bush iria analisar todas as opções e que ?novas alternativas? eram claramente necessárias no caso do Iraque. Apoio de Blair Durante um discurso no centro financeiro de Londres nesta segunda-feira, o premiê britânico Tony Blair deve pedir uma maior participação de Irã e Síria na condução da situação no Iraque e na manutenção da paz no Oriente Médio. Segundo um de seus assessores, Blair ?deixará claras as bases em que Irã e Síria podem ajudar no desenvolvimento da paz no Oriente Médio, ao invés do contrário, e as conseqüências de não fazerem nada?. O primeiro-ministro britânico deve se reunir com o grupo de estudos liderado por James Baker na terça-feira, por meio de uma videoconferência. Retirada planejada A guerra no Iraque foi um fator chave na derrota das eleições americanas que ocorreram na semana passada, em que o Partido Republicano perdeu o controle do Senado e da Câmara dos Representantes. Em decorrência do resultado, o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, acabou pedindo demissão de seu cargo. Membros importantes do Partido Democrata já vinham pedindo por uma retirada planejada do Exército americano do Iraque, a ser realizada em fases. ?Temos que dizer aos iraquianos que terminou o tempo do comprometimento sem prazo para acabar?, afirmou Carl Levin, novo presidente do Comitê dos Serviços Armados do Senado. O democrata Levin disse que uma retirada planejada deve ser feita em estágios, começando dentro de alguns meses, e que há senadores republicanos que pretendem apoiar a medida. Apoio iraquiano O embaixador sírio nas Nações Unidas, Imad Moustapha, disse que seu país ficaria satisfeito em ajudar na estabilização do Iraque, com a condição de que os iraquianos assim o quisessem. O embaixador disse que o envolvimento de outros países árabes no processo de paz seria bem recebido pela população iraquiano e a tensão poderia diminuir no país. O Grupo de Estudos sobre o Iraque, liderado por James Baker, é uma força-tarefa apartidária criada para avaliar os resultados da política americana no Iraque e supõe-se que suas conclusões indicarão que a manutenção da atual estratégia é ?insustentável?. As duas sugestões que devem ser apresentadas no seu relatório final alteram a política de Bush no Iraque. A primeira delas é a de uma retirada escalonada das tropas, e a segunda, a inclusão de Irã e Síria na estabilização da situação de segurança do país. Mais de 2.800 militares americanos já morreram no conflito desde o seu início em 2003.

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