EUA admitem que guerra contra o EI durará anos

Os dois principais responsáveis pela área militar do governo Barack Obama falam na Câmara dos Deputados sobre a estratégia da Casa Branca para combater os radicais

CLÁUDIA TREVISAN, de WASHINGTON / CORRESPONDENTE, O Estado de S. Paulo

13 Novembro 2014 | 19h43

WASHINGTON - Os EUA estão em guerra contra o Estado Islâmico, em um combate que durará anos, será marcado por dificuldades e poderá exigir o envolvimento de soldados americanos em operações complexas, declararam nesta quinta-feira, 13, na Câmara dos Representantes (Deputados) os dois principais responsáveis pela área militar do governo Barack Obama: o secretário de Defesa, Chuck Hagel, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o general Martin Dempsey.

“Estamos em guerra contra o Isil”, afirmou Dempsey, usando a sigla com a qual integrantes do governo americano se referem ao grupo. Parlamentares democratas e republicanos têm questionado a legalidade da operação, sob o argumento de que o Congresso não a aprovou e já se esgotou o prazo de 60 dias no qual o Executivo pode agir sem aval do Legislativo.

Obama ordenou ataques aéreos contra o EI no Iraque em agosto e, no mês seguinte, estendeu os bombardeios à Síria. Semana passada, o presidente disse que buscará aprovação do Congresso para a ofensiva.

Hagel disse hoje que os EUA nunca enfrentaram uma ameaça como o EI, em razão da sofisticação, dos armamentos, do conhecimento estratégico, do financiamento, da capacidade e da ideologia do grupo. “Essa ameaça é significativamente pior do que tudo o que vimos antes não só no Iraque”, disse.

“Paciência estratégica” será um dos elementos necessários para o combate, na avaliação de Dempsey. Essa paciência será necessária especialmente na Síria, onde os EUA não contam com um exército aliado, diferentemente do Iraque, e terão de construir uma força de combate. 

Segundo Hagel, o treinamento de rebeldes sírios moderados só começará a ter impacto contra o EI dentro de 8 a 12 meses. Ainda assim, será limitado. Dempsey afirmou que os EUA e seus aliados conseguirão treinar 5,4 mil combatentes em um ano, pouco mais de um terço dos 15 mil que ele considera necessários para conter o avanço do grupo extremista na Síria. 

Esse número mais elevado será alcançado nos anos seguintes, em um cronograma que está sendo definido por 200 especialistas militares de 30 países que integram a coalizão liderada pelos EUA, em um encontro de uma semana iniciado hoje na Flórida. 

Eleito com a promessa de encerrar as guerras do Iraque e do Afeganistão, Obama anunciou na semana passada que enviará mais 1,5 mil soldados para o Iraque, o que dobrará a presença militar dos EUA no país de onde as tropas americanas se retiraram em 2011. O governo tem repetido que os soldados não se envolverão em ações de combate e terão a missão de orientar e treinar as forças iraquianas.

Mas Dempsey disse hoje que a presença americana ao lado dos iraquianos poderá ser necessária em operações “complexas”, entre as quais, citou a eventual retomada de Mossul.

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