EUA admitem que Taleban está ganhando espaço no Afeganistão

Militares devem mudar estratégias e enviar mais soldados às áreas com maior número de habitantes

Efe, Associated Press e Agência Estado,

10 de agosto de 2009 | 14h22

O comando militar dos EUA no Afeganistão afirmou que a milícia extremista Taleban está ganhando terreno no país e avançando em direção às regiões norte e oeste, onde antes havia certa estabilidade, segundo a edição desta segunda-feira, 10, do diário americano Wall Street Journal.

 

O general Stanley McChrystal, que dirige as tropas americanas no Afeganistão e a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), disse ao jornal que os talebans "são inimigos muito agressivo atualmente" e ganharam "impulso". "Temos que frear seu ímpeto e sua iniciativa. É um trabalho duro", disse.

 

A administração do presidente Barack Obama pede tempo ao Congresso para obter avanços no Afeganistão. O general James Jones, principal conselheiro da Segurança Nacional dos EUA, disse que o país saberá no fim do próximo ano se a estratégia para o país está funcionando.

 

McChrystal prepara um relatório com um balanço sobre a guerra no país, invadido há oito anos. Entre alguns dos próprios democratas, do mesmo partido de Obama, há ceticismo quanto aos custos da guerra e aos avanços obtidos.

 

Segundo o general, os EUA mudarão sua estratégia de operações o Afeganistão, aumentando as tropas em áreas bastante populosas, como na cidade de Kandahar, no sul. O plano de Obama prevê uma campanha militar mais vigorosa contra o Taleban, com o compromisso de proteger os civis, expulsando os militantes de seus bastiões e retirando deles apoio popular.

 

Nesta segunda-feira, um porta-voz das forças dos EUA no Afeganistão afirmou que as forças estrangeiras passaram a buscar também pessoas envolvidas com o narcotráfico no Afeganistão. A nova estratégia busca reduzir a produção de ópio e heroína no país. Os ministros de Defesa da Otan aprovaram a iniciativa de perseguir os traficantes no ano passado, alegando que havia uma clara ligação entre os insurgentes do Taleban e o comércio de drogas.

 

Sob a nova determinação, um traficante com vínculo comprovado com os insurgentes passará a integrar uma lista de alvos. Os outros narcotraficantes seguirão sendo combatidos pelas autoridades locais.

 

Ataques

 

Seis militantes da milícia se infiltraram em uma capital provincial ao sul de Cabul lançando granadas propelidas por foguete (RPG, na sigla em inglês) em prédios do governo, segundo funcionários. Dois policiais e três agressores morreram no ataque.

 

Os militantes lançaram quatro RPGs em um edifício do governo e outras duas no escritório do chefe de polícia na cidade de Pul-i-Alam, capital da província de Logar, 60 quilômetros ao sul de Cabul, segundo um porta-voz do governador.

 

Os militantes tomaram posições em um prédio atrás da residência do governador e foram cercados por soldados afegãos e pela polícia, relatou o porta-voz. O chefe da polícia provincial, Mustafa Musseini, disse que as forças afegãs iniciaram um tiroteio.

 

Helicópteros dos EUA patrulharam a região e um deles disparou um foguete em um agressor, matando-o, disse Musseini. Outro dos militantes se explodiu e um terceiro foi morto em confronto. Um porta-voz do Taleban confirmou a entrada de seis militantes em Pul-i-Alam.

 

A violência cresceu nos últimos três anos no Afeganistão, que tem presença recorde atualmente de tropas dos EUA e da Otan. As tropas afegãs e internacionais trabalham para aumentar a segurança, às vésperas da eleição presidencial do dia 20.

 

Em outro incidente no país, seis militantes do Taleban morreram após uma bomba que eles estavam instalando à beira de uma estrada explodir antes da hora. Os militantes estavam colocando a bomba às 3h (hora local) no distrito de Naw Bahar, na província de Zabul, quando houve a explosão, segundo Abdul Zarif, oficial afegão na área.

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