EUA admitem que terror pode estar ligado à pobreza

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, não mudou os princípios da sua guerra contra o terrorismo global, mas está dando uma nova ênfase, ligada à pobreza, disse nesta segunda-feira, durante a Conferência Internacional sobre o Financiamento ao Desenvolvimento, Alan Larson, subsecretário de Estado americano para Assuntos de Economia, Negócios e Agricultura.Em entrevista à imprensa, Larson e John Negroponte, embaixador dos Estados Unidos junto às Nações Unidas, procuraram traçar a fronteira entre o que os Estados Unidos consideram aceitável e inaceitável, quando se busca ligar o fenômeno do terrorismo à pobreza e à desigualdade de renda no mundo.?Ser pobre não faz de ninguém um assassino?, disse Negroponte, lembrando que o terrorista Osama bin Laden é ?incrivelmente rico?, e que muitos dos envolvidos nos atentados de 11 de setembro vêm de meios socioeconômicos razoavelmente confortáveis.Por outro lado, continuou o Embaixador, países desesperadamente pobres, como o Afeganistão, podem cair em um caos político que os deixa vulneráveis à dominação por parte de criminosos. A referência é à Al-Qaeda, a organização terrorista liderada por Bin Laden, que não só encontrou refúgio no Afeganistão, como assumiu um papel decisivo na administração do país.?Nós sempre falamos em Estados que promovem o terrorismo, mas agora temos o caso de terroristas que promovem Estados?, ele resumiu. Este tipo de situação pode ocorrer quando a pobreza e as condições sociais se deterioram a tal ponto que ?a governança entra em colapso e desaparece?.A nova ênfase americana na pobreza foi acompanhada pelo anúncio por Bush, na semana passada, de uma iniciativa de aumentar a ajuda externa americana aos países mais pobres em US$ 5 bilhões, ao longo dos próximos três anos. Embora considerado por muitos como extremamente modesto, o anúncio americano foi visto, pelo menos, como um sinal de que os Estados Unidos estariam assumindo uma posição mais construtiva no esforço global de combate às formas mais agudas de pobreza.Os americanos, porém, ainda se mantêm firmes na postura de que a ajuda aos países mais pobres deve ser acompanhada da cobrança de que os governantes destas nações façam bom uso dos recursos. Isto significa, como disse Larson, não só monitorar o uso dos recursos e premiar os países que melhor uso fizerem, especialmente em saúde e educação, como também ligar a ajuda a políticas econômicas que incentivem o surgimento de capacidade empreendedora local.Em outras palavras, mantém-se a preocupação em incentivar as políticas pró-mercado e a assegurar aos contribuintes americanos que o seu dinheiro não está sendo desperdiçado, como Larson deixou claro: ?O objetivo é tirar o maior número possível de pessoas da pobreza com os recursos que o nosso povo e os nossos parlamentares julgarem apropriado dedicar a este fim?.De forma indireta, este comentário pareceu remeter às críticas de que a ajuda externa americana, em torno de 0,1%, é muito pequena comparada com a meta de 0,7% para os países ricos, estabelecida há mais de trinta anos. A decisão sobre o quanto dar, pareceu dizer Larson, não depende só do Executivo americano, mas da sociedade como um todo. E a generosidade provavelmente aumentaria com a certeza de que os recursos estão tendo um bom aproveitamento.A Conferência de Monterrey, no seu primeiro dia, já tem 5 mil delegados inscritos, 1.100 representantes da mídia, 15 primeiro-ministro ou vice-primeiro ministros, e 120 ministro ou vice-ministros. Nas sessões plenárias da quinta e sexta-feiras, quando mais de cinqüenta chefes de governo estão com a sua chegada prevista à Monterrey, já há inscrições para discursos de representantes de 168 países.As sessões plenárias na quinta e sexta-feiras, com os discursos dos chefes de Estado e outros representantes de delegação, irão das 9 da manha às 20h30. Paralelamente, na quinta-feira, em duas sessões de três horas de manhã e de tarde, haverá encontros fechados entre chefes de Estado, representantes da ONU e outros organismos multilaterais, empresários e membros da sociedade civil e organizações não-governamentais (ONGs).Na sexta-feira, organizado pelo presidente do México, Vicente Fox, haverá um encontro, informal em princípio, de todos os chefes de governo reunidos em Monterrey.

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