EUA adotam modelo soviético de fuzil para o Iraque

O governo americano decidiu comprar dezenas de milhares de rifles de assalto Kalashnikov para uso no Iraque. A arma, mais simples que o sofisticado modelo americano M-16, trava menos em ambientes cheios de pó e areia, como o deserto. Os russos, no entanto, não estão felizes: a encomenda foi entregue a uma fábrica búlgara. ?Por direito, esses produtos deveriam ser comprados nas fábricas onde foram desenvolvidos?, disse um representante da Rosoboronexport, agência russa de incentivo às exportações. A fábrica russa Izhmash, onde o popular fuzil AK-47 nasceu, produz hoje apenas alguns milhares de exemplares por ano. Os fuzis búlgaros são mais baratos que os russos. O contrato da fábrica Arsenal com o governo americano para equipar o novo exército iraquiano prevê, segundo informações, cerca de US$ 100 a peça; o modelo da Izhmash não sai por menos de US$ 500. A questão tem raízes na era soviética. A simplicidade do Kalashnikov, principalmente sua capacidade de continuar atirando em ambientes que travam armas mais sofisticadas, tornou o rifle popular entre revolucionários do Terceiro Mundo que a antiga URSS queria incentivar. Com isso, as autoridades soviéticas passaram o know-how para inúmeros aliados. Hoje, fábricas em mais de 15 países fazem versões do Kalashnikov, incluindo Polônia, Hungria, Coréia do Norte, Cuba, Índia e Egito.A produção pode ser extensa, mas o projetista Mikhail Kalashnikov recebe apenas ?centavos? em royalties. Em contraste, Eugene Stoner, criador do M-16, é um multimilionário.

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