EUA: advogados de Manning apelarão a tribunal militar

O advogado civil de Bradley Manning, o soldado do Exército norte-americano acusado de vazar informações confidenciais para o site WikiLeaks, pediu ao oficial que preside a audiência pré julgamento do militar que deixe o caso. O tenente-coronel do Exército Paul Almanza pediu um recesso que durou horas e se recusou a renunciar. Após isso, os advogados de Manning, que no sábado completa 24 anos, disseram que apelarão a um tribunal militar para que Almanza seja afastado do caso. Segundo eles, Almanza tem uma visão distorcida sobre o caso e prejudicará Manning. Ainda não está claro quando o Tribunal de Recursos do Exército dos Estados Unidos analisará o pedido da defesa de Manning.

AE, Agência Estado

16 de dezembro de 2011 | 19h02

A Audiência de Manning prosseguia nesta sexta-feira e poderá durar alguns dias, ao final dos quais Almanza determinará se Manning será julgado por uma corte marcial ou não. Um militar americano disse em off que Almanza poderá tomar a decisão em oito dias.

Também nesta sexta-feira, em outro episódio envolvendo o WikiLeaks, mas na Inglaterra, a Suprema Corte britânica determinou que o fundador do website, Julian Assange, de 39 anos, poderá apelar da extradição para a Suécia, onde é acusado de agressões sexuais contra duas mulheres. A decisão significa que Assange vai passar seu segundo Natal numa mansão inglesa, de propriedade de um rico partidário do WikiLeaks, em Norfolk, leste da Inglaterra.

"A Suprema Corte concedeu a permissão de apelação e uma audiência foi marcada para acontecer por dois dias, começando em 1º de fevereiro de 2012", diz o comunicado do tribunal, que é a mais alta corte de Inglaterra.

Já a situação do soldado norte-americano Bradley Manning é mais complicada. Ele ainda corre o risco de ser levado a uma corte marcial, onde se for considerado culpado poderá ser condenado à prisão perpétua. Manning é acusado pelo governo dos EUA de passar ao australiano Assange centenas de milhares de documentos secretos do governo dos Estados Unidos, que depois foram publicados no WikiLeaks.

Na audiência desta sexta-feira nos EUA, o advogado David Coombs citou quatro razões para a saída de Almanza. A principal delas é a atuação do militar como promotor do Departamento de Justiça, que conduz uma investigação criminal contra o fundador e editor-chefe do WikiLeaks, Assange.

Vestindo seu uniforme camuflado, Manning fez sua primeira aparição pública desde 20 de abril de 2010, quando foi detido. O caso atraiu atenção internacional. Partidários do soldado o consideram um ativista contra a guerra e um herói, que ajudou a expor os erros dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão. Para outros ele é um vilão, até mesmo um traidor, que traiu seu juramento de lealdade ao deliberadamente divulgar segredos do governo.

Se o caso for a julgamento e ele for condenado, Manning pode pegar prisão perpétua. O governo afirmou que não vai pedir pena de morte para o soldado.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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