EUA afirmam que bombardeios devem continuar

O Departamento de Defesa (Pentágono) dos EUA negou-se hoje a assumir o compromisso de interromper em breve os bombardeios no Afeganistão, como espera o governo interino. "Não excluímos nada e faremos o que for necessário para alcançar o que desejamos", justificou a porta-voz Victoria Clarke, referindo-se à prisão ou eliminação dos dirigentes da rede terrorista Al-Qaeda e do Taleban. Indagada sobre o risco de cometerem erros nos bombardeios, ela respondeu que os militares fazem o máximo para evitar vítimas civis, mas "dão prioridade às metas da Operação Liberdade Duradoura". Pela manhã, o porta-voz do Ministério da Defesa afegão, Mohammad Habeel, disse que o país estava pedindo aos EUA o fim dos ataques aéreos, possivelmente dentro de alguns dias. A missão diplomática americana em Cabul informou não ter recebido nenhuma pedido nesse sentido do governo interino afegão. "Sem a aprovação de comandantes locais e do Ministério da Defesa, os EUA não podem bombardear à vontade o Afeganistão", afirmou Habeel. No dia anterior, Habeel declarara ter recebido a informação de que o terrorista saudita Osama bin Laden está no Paquistão e, hoje, enfatizou que todos os esconderijos da Al-Qaeda e do Taleban tinham sido destruídos. "As forças remanescentes são poucas e podem ser aniquiladas no máximo em três dias. E, uma vez que isso seja feito, não há necessidade de continuarem com os bombardeios." Um dia antes das declarações de Habeel, um chefe tribal da região de Paktia, no leste do país, uma das mais visadas pela aviação americana, disse que o chefe interino do governo, Hamid Karzai, iria pedir a Washington o fim dos ataques. Líderes dessa região acusam os EUA de terem bombardeado na semana passada um comboio levando anciãos e outros chefes tribais para a cerimônia de posse de Karzai, matando 65 pessoas e ferindo 40. O Pentágono alega que não houve erro e nessa caravana havia vários membros do Taleban e da Al-Qaeda, embora haja relatos de que tenham recebido informações falsas. Os líderes da região de Paktia têm pressionando Karzai e ameaçam com uma revolta popular. De quarta para quinta-feira, a aviação americana bombardeou e destruiu instalações usadas pelo Taleban na Província de Paktika também no leste afegão. "Temos informação para pensar que se tratava de dirigentes talebans", disse a porta-voz do Pentágono. Moradores da região disseram que 40 civis morreram durante o ataque aéreo e a agência afegã AIP, vinculada ao antigo regime, reportou a morte de pelo menos 25 civis.

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