EUA afirmam ter provas sobre uso de gás sarin em ataque na Síria

De acordo com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, amostras comprovam presença de agente, de uso proibido; para ele, Congresso vai aprovar ação militar no país

01 de setembro de 2013 | 12h35

Texto atualizado às 21h40

 

WASHINGTON - O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, defendeu neste domingo, 1º, a decisão do presidente Barack Obama de adiar uma ação militar contra a Síria, qualificou a iniciativa de buscar aprovação do Congresso como uma "decisão corajosa" e disse que o governo tem evidências de que gás sarin foi usado no ataque do dia 21, que deixou 1.429 mortos.

 

Um dia após Obama ter surpreendido o mundo ao conter o que parecia um ser iminente ataque com mísseis à Síria, Kerry foi encarregado de defender a mudança de posição. Sua participação, pela manhã, em cinco programas na TV ressalta a posição fragilizada do governo após uma semana de vaivéns sobre a Síria.

 

"Acredito que o presidente percebeu em consultas com o Congresso que algumas pessoas queriam influir na questão", disse Kerry no programa Face the Nation, da CBS. "E ele acreditou, após meditar sobre o caso, que os Estados Unidos são muito mais fortes quando agem de modo concertado." Com tantos congressistas abertamente céticos, Kerry previu que o Congresso não "virará as costas" a sua obrigação de defender as normas internacionais contra o uso de armas químicas. Ele disse que amostras de cabelos e sangue de socorristas que ajudaram as vítimas em Damasco "deram positivo para a presença de sarin". Esta foi a primeira vez que alguém do governo identificou qual tipo de arma química foi usado no ataque.

Dias atrás, ao defender a necessidade de uma intervenção, Kerry qualificou o ataque de uma "obscenidade moral" e disse que o presidente sírio, Bashar Assad, é "um criminoso e um assassino".

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, um grupo de direitos humanos com sede na Grã-Bretanha, informou neste domingo que mais de 110 mil pessoas - metade civis - morreram no conflito sírio, que já dura dois anos e meio.

 

Na Fox News, Kerry advertiu Assad a não ser "suficientemente tolo" para se aproveitar do adiamento de Obama. Ele sugeriu que o presidente não esperará a aprovação dos congressistas, que estão em recesso até o dia 9, se ocorrer outro ataque.

 

"Se o regime de Assad for tolo o suficiente para atacar de novo e fazer algo nesse ínterim, o presidente certamente sabe que tem o poder para fazer isso, e acredito que o presidente agirá muito rapidamente", disse Kerry. Ele acrescentou que Obama acredita que o respaldo do Congresso é necessário para enviar uma mensagem a nações como Irã e Coreia do Norte, que estão tentando obter armas nucleares. Ele também invocou interesses americanos na proteção de Israel, Jordânia e outros aliados no Oriente Médio. Ele sugeriu que o Congresso não pode influir na decisão e depois se recusar a defender a convenção contra o uso de armas químicas.

 

"O Congresso tem uma responsabilidade aqui, também", disse Kerry em Meet the Press, da NBC. E acrescentou: "O Irã dará grande importância ao que decidirmos fazer com respeito à Síria. Israel, Jordânia, Turquia estão em risco. A região está em risco, e acreditamos que o Congresso fará o que for preciso."

 

A oposição síria pediu ontem ao Congresso dos EUA que aprove a ação militar contra o regime de Assad, dizendo que os congressistas americanos precisam deixar claro que o uso de armas químicas será punido sempre que ocorrer. A ONU pediu ao chefe dos inspetores que acelere a análise das amostras coletadas na Síria, alegando que cada minuto é essencial.

 

A decisão de Obama de pedir o aval do Congresso pode forçar o governo francês - o principal aliado dos EUA, após o Parlamento britânico rejeitar a participação da Grã-Bretanha na intervenção - a também solicitar a aprovação de seus políticos para participar do ataque.

 

Uma questão crítica que tem sido levantada é qual efeito o retardamento de um ataque pelos EUA e aliados pode ter.

 

Jack Keane, ex-vice-chefe do Estado-Maior do Exército e outros especialistas militares argumentam que o tempo pode correr a favor de Assad na medida em que as forças sírias terão mais oportunidades para se dispersar, se preparar e mover seus equipamentos para áreas civis que eles sabem que não serão atacadas. NEW YORK TIMES, AP e REUTERS

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