EUA aguardam novo pronunciamento de Bin Laden

A descoberta dos vídeos com imagens velhas de Osama bin Laden pouco importa à inteligência americana, que está convencida de que se o líder da Al-Qaeda não aparecer antes 11 de setembro, no primeiro aniversário dos atentados terroristas, significará que ele está morto. A videoteca da Al-Qaeda, descoberta no Afeganistão, permitiu conhecer uma declaração feita em maio de 1998 por Bin Laden, algo como a origem do desafio aos Estados Unidos, país para o qual ele já havia trabalhado e do qual havia recebido fundos milionários no passado. Imagens inéditas de uma entrevista coletiva mostram Bin Laden anunciando seu desafio aos EUA e a "jihad"(guerra santa) contra ?os cristãos e judeus?. A proclamação, segundo Washington, foi feita em 7 de agosto de 1998, no mesmo dia em que dois atentados destruíram as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, matando 231 pessoas. Mas tudo isso significa pouco para a inteligência americana, empenhada agora na contagem regressiva para o primeiro aniversário dos atentados em Nova York e Washington. Para a CIA e o FBI, se Bin Laden não se pronunciar de agora até 11 de setembro próximo, significará que ele está morto. Os Estados Unidos perderam a pista do milionário saudita no início de dezembro do ano passado, quando ele havia sido supostamente descoberto nas cavernas de Tora Bora, entre o Afeganistão e o Paquistão. Desde então, nenhuma prova substancial de que ele está vivo foi encontrada. O Pentágono e os investigadores, no entanto, continuam trabalhando com a hipótese de que Bin Laden está vivo. "É um ícone tal que, se ele estivesse morto, algo teria vazado, nem que fosse uma pequena sensação de angústia ou estupor entre seus seguidores", afirmou Stanley Bedlington, ex-analista da CIA. Nenhum desses sinais foi capturado por serviços secretos ocidentais. Segundo uma fonte americana, "é como a história de Elvis Presley: um monte de rumores, mas todos infundados". Em Washington, prevalece a idéia de que os próximos 22 dias serão decisivos para resolver as dúvidas, já que o aniversário da tragédia, segundo os especialistas, é a data ideal para o reaparecimento de Osma bin Laden, o que seria um golpe de efeito sensacional. "Mas se ele (Bin Laden) não aparecer até 11 de setembro, então teremos que supor que está morto", disseram os especialistas. Atualmente, a caçada americana é mais intensa do que nunca, apesar de que George W. Bush tem evitado há vários meses citar o "malvado número um", como o presidente americano se refere a Bin Laden, e tenha voltado sua atenção a outro "malvado", o líder iraquiano, Saddam Hussein. Citar Bin Laden significaria reconhecer uma derrota, pois, apesar da guerra no Afeganistão, dos bombardeios, de uma recompensa de US$ 25 milhões e de centenas de análises de DNA em cadáveres "suspeitos", não há provas de que o "terrorista número um do planeta" esteja morto.

Agencia Estado,

20 Agosto 2002 | 16h18

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