EUA ajudam a recuperar zoológico de Cabul

A última vez que David Jones visitou o zoológico de 40 hectares da capital do Afeganistão, ele admirou os ursos e os cabras nativas daquele país assim como outros animais. "Era um zoológico até bacana para aquela parte do mundo", disse Jones, diretor de um zoológico da Carolina do Norte. Mas isso foi há 15 anos.Hoje o número de espécies no zoo de Cabul foi reduzido a 19, incluindo alguns lobos, macacos e um leão que ficou cego de um olho depois que um guerrilheiro afegão jogou uma granada na sua jaula. O bem-estar desses animais representa uma prioridade diminuta num momento em que os próprios residentes têm problemas graves a serem resolvidos.Como resposta aos relatos sobre as condições daquele zoo, os zoológicos dos Estados Unidos e aquariums começaram uma campanha esta semana para arrecadar US$ 30 mil para manter o zoo em funcionamento pelos próximos quatro ou seis meses. Até ontem, a Sociedade dos Zoológicos da Carolina do norte havia arrecadado US$ 26 mil de 150 doadores."Algumas pessoas dizem ´isto não é uma loucura quando temos todos os problemas humanos?´", contou Jones. "Mas acredito que deve haver uma avaliação muito mais ampla do lado dos animais num tipo de conflito como esse", acrescentou.Um dos maiores gastos do zoo de Cabul é Marjan, o leão, cuja ração diária equivale a US$ 14 por dia, quantia maior aos ganhos mensais de muitos habitantes de Cabul. Marjan foi ferido nos anos 90 por uma granada atirada por um guerrilheiro cujo irmão foi morto pelo animal um dia antes ao entrar em sua jaula. Um outro guerrilheiro, em outra ocasião, jogou um granada em um elefante.O preço pago para entrar no zoológico gera apenas US$ 300 por mês contra os US$ 6 mil necessários para manutenção do local. O diretor do zoo não recebe seu salário mensal de US$ 20 desde julho. Sem energia elétrica, sem veterinários e sem dinheiro para aquecer o interior das jaulas, pouco resta a fazer aos empregados do zoo que ainda restam.Para saber mais sobre como ajudar o zoológico de Cabul: Zoológico da Carolina do Norte(www.nczoo.org); American Zoo and Aquarium Association (www.aza.org); World Society for the Protection of Animals (www.wspa-americas.org).

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