Mark Abramson/The New York Times
Mark Abramson/The New York Times

Autoridades investigam 'festas da covid-19' no Estado de Washington

Inicialmente, Departamento de Saúde disse ter recebido relatos sobre a realização de festas para a contaminação voluntária com o novo coronavírus, mas voltou atrás e fala agora em 'entender' os novos casos

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 03h34

SEATTLE - Com a crescente impaciência pelas normas de isolamento social e o aumento do desemprego, especialistas em saúde pública dos Estados Unidos alertaram sobre a preocupação de que algumas pessoas tentassem se expor intencionalmente ao novo coronavírus, em uma tentativa desesperada de ganhar imunidade para a covid-19.

Um dos medos das autoridades é com o surgimento das chamadas "festas da covid-19" - uma reedição das festas da catapora, criadas para intencionalmente espalhar a doença, na tentativa de adquirir imunidade.

Autoridades do departamento de Saúde no Estado de Washington reportaram nesta semana evidências de que um ou mais encontros desse tipo teriam relação com pelo menos dois novos casos de coronavírus. No entanto, na noite desta quarta-feira, 6, o departamento se retratou e disse que as tais "festas da covid-19" podiam, na verdade, ter finalidades mais inocentes.

Meghan DeBolt, diretora de saúde comunitária de Walla Walla - localidade onde os eventos teriam acontecido -, disse que o próprio departamento ainda está tentando entender sobre os novos casos surgidos nessas reuniões.  DeBolt afirmou que continuam recebendo relatos de festas com a participação de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus, mas que não há evidência de que as pessoas que foram infectadas nos locais tenham ido até os encontros com a intenção de se contaminarem.

As autoridades haviam dito em um comunicado à imprensa na segunda-feira que  estavam "recebendo relatos de festas da covid-19 ocorrendo em nossa comunidade, onde pessoas não infectadas se misturam com uma pessoa infectada em um esforço para pegar o vírus".

As autoridades da localidade têm trabalhado para conter um surto de coronavírus nas últimas semanas. DeBolt disse que o departamento não estava perto de conter a propagação, de modo que a preocupação no momento é que mais pessoas participem de reuniões com pessoas infectadas, mesmo com as regras de isolamento social.

"Nós sabemos que as pessoas estão exaustas do isolamento e da quarentena. Queremos estar em condições de uma reabertura também. Queremos poder ir à restaurantes e socializar com amigos e família. Precisamos da ajuda da nossa comunidade por um pouco mais de tempo para seguir com esse plano", disse a diretora.

A projeção de festas para contaminação voluntária de pessoas, que pensam que vão ganhar imunidade caso sejam infectados logo, tornou-se rapidamente um medo entre os especialistas em saúde. Os EUA têm um longo histórico de pessoas que voluntariamente se infectam propositalmente com esse objetivo./ AFP e NYT

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