Carolyn Kaster|AP
Carolyn Kaster|AP

EUA aliviam restrição de uso do dólar em Cuba

Às vésperas da viagem de Obama à ilha, governo autoriza transações em moeda americana de outras nações com Havana

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON

15 de março de 2016 | 20h36

WASHINGTON - A cinco dias do início de sua histórica visita a Havana, o presidente americano, Barack Obama, deu mais um passo para reduzir o impacto do embargo econômico dos EUA a Cuba. Medidas anunciadas nesta terça-feira, 15, deram sinal verde para transações em dólares entre a ilha e terceiras nações e praticamente eliminaram restrições de viagens de americanos ao país. 

Atendendo a um pedido do governo Raúl Castro, Obama também abriu as portas para que atletas cubanos joguem nas ligas de beisebol dos EUA. Com as mudanças, bancos e empresas de outros países poderão realizar transações em dólares com Cuba sem o temor de punição pelos EUA por violação do embargo. Isso amplia o espaço para o comércio da ilha e facilita as operações de empresas estrangeiras que tenham negócios no país. As operações que tenham como origem ou destino empresas e pessoas sujeitas à jurisdição americana continuam proibidas.

Antes do anúncio de ontem, americanos podiam viajar para Cuba dentro de 12 categorias específicas, que normalmente exigiam o endosso de instituições de ensino, religiosas, esportivas ou da sociedade civil. A partir de agora, eles poderão visitar a ilha de maneira independente, desde que se dediquem ao contato com cubanos. Formalmente, viagens de turismo continuam vedadas.

“Isso praticamente desmantela a proibição de viagens. Qualquer pessoa que prometa que passará parte de seu tempo batendo papo com cubanos poderá ir à ilha”, disse ao Estado Peter Schechter, diretor do Centro para América Latina do Atlantic Council. Há um mês, Havana e Washington fecharam acordo para retomada de voos comerciais, depois de uma interrupção de mais de cinco décadas. O pacto permite a oferta de até 110 linhas diárias, que deverão estar em operação a partir de meados do ano. 

Ben Rhodes, assessor de Obama e integrante do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, disse que as viagens aumentarão o acesso à informação pelos cubanos e serão um dos motores de transformações da ilha. “Temos enorme confiança na atuação dos americanos como embaixadores em defesa das coisas que valorizamos”, afirmou em conferência telefônica com jornalistas.

Na opinião do escritor Peter Kornbluh, os anúncios têm o objetivo de preparar o terreno para uma visita bem-sucedida de Obama, a primeira de um presidente americano ao país em 88 anos. “A viagem será um sucesso se mostrar que o processo de normalização está nos trilhos e há impulso crescente para o levantamento do embargo”, avaliou Kornbluh, autor de Back Channel to Cuba, que trata das negociações secretas entre os dois países desde a chegada de Fidel Castro ao poder, em 1959.

Segundo ele, Obama está engajado em uma “política do beisebol”, o esporte mais popular da ilha. Entre as medidas anunciadas ontem está a permissão de pagamento de salários a cidadãos cubanos que não sejam imigrantes nem residentes nos EUA. A regra beneficiará atletas e artistas em geral, mas foi desenhada para permitir que jogadores de beisebol cubanos atuem no país. “Isso responde a um pedido de Cuba para que seus jogadores possam trabalhar nos EUA sem ter de desertar e trair seu país”, observou Kornbluh.

Obama chegará à ilha no domingo e, na terça-feira, assistirá a um jogo de beisebol entre o americano Tampa Bay Rays e a seleção nacional de Cuba.

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