Win McNamee/Getty Images/AFP
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EUA ameaçam aplicar sanções 'sem precedentes' contra o Irã

Secretário de Estado Mike Pompeo promete que Washington aplicará 'pressão financeira' se Teerã 'não mudar o rumo inaceitável e improdutivo' causado por seu programa nuclear e por seu apoio a grupos terroristas

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2018 | 12h14

WASHINGTON - Os EUA apresentaram nesta segunda-feira, 21, uma longa lista de demandas ao Irã para fechar um novo acordo nuclear com o país, que abrange a retirada de forças de Teerã da Síria e de outras nações do Oriente Médio, o fim de enriquecimento de urânio e o abandono do desenvolvimento de mísseis balísticos. Enquanto as exigências não forem atingidas, Washington adotará as "mais duras sanções da história" contra a República Islâmica, disse o secretário de Estado, Mike Pompeo.

Segundo ele, o governo Donald Trump enviará missões a diversos países nos próximos dias para explicar a posição dos EUA e buscar apoio para a campanha de pressão sobre o Irã. "Todo mundo terá de participar disso", declarou, em discurso no qual apresentou a política da administração em relação a Teerã.

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No dia 8 de maio, Trump anunciou a saída dos EUA do acordo fechado com o Irã, Alemanha, França, Inglaterra, China e Rússia para limitar as atividades nucleares de Teerã em troca do levantamento de sanções. Desde então, os europeus buscam uma maneira de manter o pacto e proteger suas empresas de eventuais sanções americanas.

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Muitas delas investiram e fecharam contratos de exportação com o país depois da aprovação do acordo, em 2015. Companhias dos EUA também realizaram negócios com o Irã, mas em menor escala. Pompeo disse que "ouvirá" as preocupações dos aliados com o restabelecimento de sanções, mas deixou claro que o governo Trump pretende ser estrito na sua aplicação. "Nós vamos responsabilizar os que fazem negócios proibidos no Irã."

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O governo americano não vai apenas restaurar as sanções que haviam sido suspensas, mas imporá novas restrições às transações econômicas com o país. Em razão da predominância do sistema financeiro e da tecnologia dos EUA, as medidas acabam atingindo empresas de outros países, que poderão ser penalizadas se contrariarem as proibições.

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"Cada país terá de entender que nós não podemos continuar a criar riqueza para Qasem Soleimani", afirmou, fazendo referência ao general da Guarda Revolucionária Iraniana responsável por ações militares e clandestinas no exterior. "Nosso esforço é estrangular sua capacidade econômica para causar dano no Oriente Médio e o mundo."

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Pompeo apresentou uma lista de 12 demandas que dificilmente serão aceitas pelos iranianos. As exigências vão além do programa nuclear e tentam conter a influência e as ações de Teerã no Oriente Médio. Os EUA querem a retirada das forças iranianas da Síria, onde apoiam o regime de Bashar Assad, e o fim do financiamento a milícias e grupos que operam no Iraque, Líbano, Iêmen e Afeganistão, como o Hezbollah e o Taleban.

O secretário de Estado ressaltou que os EUA não buscam a renegociação do acordo abandonado no início de maio, mas a aprovação de um tratado que seria submetido ao Congresso americano. O pacto de 2015 não foi chancelado pelos parlamentares. Em troca, os EUA estariam dispostos a suspender sanções, restabelecer relação diplomáticas e comerciais com o Irã e apoiar a modernização da economia do país.

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