EUA ameaçam com intervenção caso Síria recorra a armas químicas

Novo enviado da ONU é criticado por declaração sobre Assad.

BBC Brasil, BBC

20 de agosto de 2012 | 18h27

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta segunda-feira que o uso de armas químicas pela Síria seria uma "linha vermelha" que mudaria sua opinião sobre uma intervenção na crise que atinge o país desde o ano passado.

"(Será) uma linha vermelha para nós (se) vermos armas químicas sendo movimentadas, ou sendo usadas", disse Obama em entrevista na Casa Branca.

Segundo Obama, a movimentação ou uso de armas químicas e biológicas ampliaria o conflito na região.

"Não inclui apenas a Síria. Iria preocupar aliados na região, incluindo Israel, e iria nos preocupar."

A Síria tem o quarto maior arsenal de armas químicas do mundo.

No mês passado, um porta-voz do Ministério do Exterior sírio disse que armas químicas ou biológicas nunca seriam usadas dentro do país, mas admitiu que o governo poderia recorrer a essas armas em caso de "agressão externa".

Segundo a correspondente da BBC em Washington, Kim Ghattas, os EUA receberam recentemente relatos não confirmados de que autoridades sírias têm movimentado os arsenais de armas químicas.

Enviado à Síria

Também nesta segunda-feira, o novo enviado especial da ONU à Síria, Lakhdar Brahimi, foi criticado ao afirmar que "ainda não está em posição de dizer" se o presidente sírio, Bashar al-Assad, deve ou não renunciar.

Brahimi, ex-ministro do Exterior da Argélia, substituiu na semana passada Kofi Annan, que renunciou ao cargo de enviado especial da ONU após ter seu plano de paz amplamente ignorado tanto pelo governo sírio quanto pelos rebeldes.

Ao anunciar sua renúncia, Annan disse que "está claro que o presidente Bashar al-Assad deve deixar o poder".

A principal coalizão de oposição síria, o Conselho Nacional Sírio, disse que a declaração de Brahimi demonstrava "desprezo pelo sangue do povo sírio e seu direito à auto-determinação" e exigiu descupas.

Brahimi disse que está "comprometido a encontrar uma solução".

"Eu não me filiei a nenhum partido sírio. Eu sou um mediador e um mediador tem de falar com qualquer um e todos sem influências ou interesses", disse.

Desde que foi confirmado no cargo, Brahimi tem reconhecido que não tem ideias concretas sobre como acabar com o conflito que, segundo ele, já se transformou em uma guerra civil há algum tempo.

No domingo, a missão de observadores da ONU terminou seu mandato na Síria. Ele haviam sido enviados à Síria para monitorar a implementação do plano de paz, mas deixaram o país sem que houvesse redução na violência.

No lugar da missão, o Conselho de Segurança da ONU decidiu trabalhar com um novo escritório civil na capital, Damasco, para buscar contatos políticos que possam levar à paz.

Segundo a ONU, mais de 18 mil pessoas foram mortas no conflito, iniciado em março de 2011. Outras 170 mil deixaram a Síria, e 2,5 milhões precisam de ajuda no país. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
topobamasíriaLakhdar Brahimi

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.