REUTERS/Marco Bello
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EUA ameaçam impor sanções contra empresas que venderem combustível de aviação à Venezuela

Fontes ouvidas pela agência Reuters dizem que funcionários do Departamento de Estado entraram em contato com fornecedores na Suíça e no Reino Unido para implementar medida, cujo objetivo é limitar ainda mais os voos comerciais e militares para Caracas

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2019 | 14h54
Atualizado 24 de maio de 2019 | 11h35

LONDRES - Os Estados Unidos ameaçaram impor sanções contra as principais empresas estrangeiras fornecedoras de combustível de aviação se elas não deixarem de negociar com o governo da Venezuela, segundo fontes do setor, aumentando ainda mais a pressão para isolar o governo de Nicolás Maduro.

De acordo com essas fontes, funcionários do Departamento de Estado americano conversaram por telefone nesta semana com empresas sediadas na Suíça e no Reino Unido para implementar a medida e limitar ainda mais os voos comerciais e militares para a Venezuela (mais informações abaixo).

"Continuamos em contato com empresas do setor de energia sobre os possíveis riscos que enfrentam ao realizar negócios com a PDVSA", disse um funcionário do Departamento de Estado, ao referir-se à companhia estatal de petróleo da Venezuela.

A pressão, parte dos esforços de Washington para tirar Maduro do poder, é um avanço ao pedido feito por funcionário do governo de Donald Trump em março para que os fornecedores globais e refinarias de petróleo reduzissem o comércio com Caracas também sob o risco de serem sancionados por Washington.

Os Estados Unidos e mais de 50 países apoiam o líder opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela, e seu esforço para mudar o governo venezuelano. Nas últimas semanas, no entanto, as iniciativas de Guaidó estagnaram enquanto o colapso econômico e a crise humanitária se agravam no pais.

Autoridades americanas tentam acabar com fornecimento de gasolina e de produtos refinados usados para diluir o petróleo produzido na Venezuela para torná-lo adequado para exportação. As fontes disseram, no entanto, que os EUA ainda consideram o comércio de diesel com a Venezuela legal por razões humanitárias.

À medida que os EUA elevam sua produção de petróleo e gás natural, o governo Trump tem usado cada vez mais sua influência no setor energético em seus esforços de política externa. Em março durante conferência em Houston, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, apresentou plano para os EUA trabalharam com empresas de energia para isolar o Irã e a Venezuela.

Há décadas a economia da Venezuela depende do petróleo, que antes das sanções representava mais de 90% das receitas de exportação do país.

O país, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), tem as maiores reservas conhecidas do mundo, mas sua produção caiu para menos de 800 mil barris por dia em abril - há duas décadas, eram 3 milhões de barris por dia -, segundo dados do próprio cartel.

Caminhos para Caracas

Em razão da crise, poucas empresas mantém voos regulares para a Venezuela. Na América Latina, a única é Copa Airlines, com opções partido da Cidade do Panamá para os aeroportos de Caracas, Maracaibo e Valência.

Para viajantes europeus a oferta é um pouco mais ampla. A companhia AirEuropa opera voos regulares a partir de Madri para a capital venezuelana, com ao menos três partidas semanais. A também espanhola Iberia é outra que mantém até três voos semanais para Caracas.

A Air France tem cinco saídas semanais para a capital venezuelana a partir de Paris, exceto às quartas e sextas. Já a portuguesa TAP ainda voa para o país latino, mas com menor frequência: dois voos semanais.

Por fim, é possível chegar ao país de Maduro a partir da Turquia, país aliado do chavismo, por meio de voos da Turkish Airlines com três decolagens semanais. / REUTERS

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