EUA ameaçam Rússia com novas sanções

Moscou já sente efeito do cerco; fuga de capitais chegaria a US$ 70 bilhões em março e multinacionais deixam país com medo da instabilidade

ADRIANA CARRANCA, ENVIADA ESPECIAL / HAIA, HOLANDA, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2014 | 02h08

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse ontem que está preparado para agir com força militar em defesa dos membros da Otan, em claro recado ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, referindo-se à escalada das tropas russas na fronteira dos países do Leste Europeu. Obama reafirmou que os países do G-7 não reconhecerão a anexação da Crimeia e ameaçou ampliar as sanções contra Moscou.

"Estamos intensificando planos de contingência para tranquilizar os aliados da Otan (no Leste Europeu) de que vamos atuar em sua defesa", afirmou Obama no encerramento da cúpula de segurança nuclear, em Haia. "É claro que vamos agir diante de qualquer ameaça. É disso o que se trata a Otan."

"Neste momento, as tropas estão em solo russo. E a Rússia tem o direito de mobilizar tropas em seu território", afirmou, referindo-se à concentração de soldados do Kremlin na fronteira de países vizinhos. "Mas nos opomos ao que parece ser um esforço de intimidação".

Obama disse, no entanto, acreditar que os russos possam recuar. "Seria desonesto sugerir que existe uma solução simples para resolver o que já se deu na Crimeia. O que podemos trazer são os argumentos legais, diplomáticos, a pressão política, as sanções econômicas que já estão em andamento, para nos certificarmos de que haverá um custo (à Rússia)", afirmou.

Em reunião de emergência convocada por Obama, na segunda-feira, líderes do G-7 (além dos EUA, Canadá, França, Alemanha, Itália, Grã-Bretanha e Japão) decidiram excluir a Rússia do G-8, bloco de países industrializados.

O segundo e último dia da cúpula foi ofuscado mais uma vez pela crise na Ucrânia e os esforços diplomáticos do presidente americano para aumentar a pressão sobre Putin. No início do dia, EUA e Ucrânia divulgaram uma declaração conjunta em que mencionam o pacto de não proliferação nuclear feito pela Ucrânia, em 1994, quando a comunidade internacional deu como contrapartida garantias de que a independência, a soberania e as fronteiras do país seriam respeitadas.

A Rússia já enfrenta os prejuízos das sanções, segundo dados revelados ontem pelo Sberbank, maior banco russo. Entre janeiro e fevereiro, um total de US$ 35 bilhões em investimentos deixaram o país e o governo estima que, em março, a fuga de capitais chegue a US$ 70 bilhões.

O agravamento das contas públicas pode levar a economia russa à recessão. Segundo o Sberbank, o congelamento de ativos de líderes e empresários, as restrições de viagens e a perspectiva de mais sanções econômicas levam investidores e multinacionais a repatriar os lucros para evitar os efeitos da instabilidade política.

O Sberbank acredita que a economia ficará estagnada em 2014. Na segunda-feira, a agência de rating Fitch rebaixou a nota do banco Sberbank e de outros quatro bancos russos. Ações do banco BNP Paribas e da montadora Renault, todos com investimentos na Rússia, também recuaram. / COM ANDREI NETTO

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