EUA ameaçaram multar Yahoo! para obter informações de internautas

Conglomerado de internet teria de pagar US$ 250 mil por dia caso não revelasse dados de seus usuários para o governo americano

O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2014 | 19h33

SAN FRANCISCO, EUA - A corte federal dos EUA que rejeitou em2008 uma apelação do conglomerado de internet Yahoo! contra a vigilânciasecreta de seus usuários por parte do governo americano revelou nesta quinta-feira,11, documentos que comprovam que Washington ameaçou a empresa com uma multa deUS$ 250 mil por dia caso os dados dos internautas não lhes fossem fornecidos.

O fato de o Yahoo! ter perdido o caso abriu caminho para umavasta expansão da espionagem dos EUA pela internet por meio do programa Prism,pelo qual a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) e o FBI, apolícia federal americana, tiveram acesso irrestrito - e sem necessidade de sejustificar perante a Justiça - a e-mails, conversas e arquivos que trafegarampelos principais servidores, redes sociais e softwares de comunicação do mundo.

Finalmente, o Yahoo! e outras sete companhias de internetconcordaram em fornecer dados para o governo americano por meio do Prism, cujaexistência foi revelada pelo ex-agente de inteligência Edward Snowden no anopassado.

A ameaça contra o Yahoo! fez com que o conglomerado fosseuma das primeiras companhias a fornecer dados para o Prism. A empresa publicouem um blog o valor da multa a que seria submetida caso não atendesse àexigência do governo americano.

Os processos na Corte Federal de Inteligência e Vigilânciacostumam ser secretos. O Yahoo! vinha pressionando o tribunal há meses para aque os documentos do caso fossem revelados. "Consideramos esse fato (adivulgação dos documentos) uma importânte vitória para a transparência eesperamos que esses registros ajudem a promover uma discussão bem informadasobre a relação entre privacidade, respeito a normas processuais e coleta dedados de inteligência", declarou Ron Bell, advogado do Yahoo!, no post daempresa sobre o assunto. / NYT e W. POST

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