EUA ampliam apoio externo a ataque à Síria; Itamaraty exige aval da ONU

Ofensiva do governo Obama para legitimar um bombardeio avança entre países árabes e europeus

Andrei Netto e Jamil Chade, Correspondentes em Paris e Genebra - O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2013 | 02h03

PARIS/GENEBRA - Se o aval do Congresso a um ataque à Síria parece cada vez mais difícil, o governo de Barack Obama avançou na busca por apoio internacional à ofensiva. O país enfatizou ontem a parceria da Arábia Saudita e garantiu que outros árabes anunciarão adesão esta semana. Em Genebra, o chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, defendeu que um ataque só ocorra com a anuência do Conselho de Segurança da ONU (mais informações nesta página).

Na noite de sábado, chanceleres dos 28 países da União Europeia, incluindo a Alemanha, até então relutante, assinaram uma declaração na qual pedem uma "resposta clara e forte" contra o ataque com armamento químico na periferia de Damasco, na Síria, no dia 21.

O apoio europeu foi obtido a fórceps 24 horas após o fim da reunião do G-20 de São Petersburgo, no qual a comunidade internacional se dividiu a favor e contra a operação militar. Os chanceleres da União Europeia se encontraram, com a presença do secretário de Estado americano, John Kerry, que lamentara horas antes o isolamento de França e Dinamarca. Kerry se reuniu com representantes árabes ontem.

Após as pressões francesas e americanas, a posição de vários países mudou. No novo comunicado, os europeus não falaram em "intervenção", mas pediram uma resposta a Bashar Assad. "A comunidade internacional não pode permanecer de braços cruzados frente a um recurso imoral às armas químicas", diz a declaração oficial de Bruxelas.

Segundo Guido Westerwelle, ministro das Relações Exteriores da Alemanha, a assinatura foi uma contrapartida à promessa do presidente da França, François Hollande, de que não atacará antes que o relatório dos inspetores das Nações Unidas seja conhecido.

A declaração europeia, na prática, altera a posição de países como Itália, Espanha, Lituânia e, mais importante, da Alemanha. A mudança foi informada pela própria chefe de governo, Angela Merkel, que emitiu um comunicado ressaltando a unidade com os vizinhos.

Uma das razões para a mudança da posição alemã - que na sexta-feira havia se recusado a assinar uma declaração idêntica no G-20 -, foi a má repercussão em Berlim. Merkel, que tentará a reeleição no dia 22, foi criticada por jornais como Die Zeit, que qualificou a posição do país sobre a Síria como isolacionista.

CONGRESSO

Nos EUA, a ofensiva lançada por Obama em busca de apoio não avança no mesmo ritmo. Autoridades estão cautelosamente otimistas com relação ao Senado, mas dificuldades vêm surgindo. No sábado, o senador Mark Pryor, democrata de Arkansas que foi um dos principais organizadores da campanha de reeleição de Obama, manifestou-se contra uma autorização para o uso da força. Na Câmara, os membros que declararam que vão se opor ou estão inclinados a votar contra a ação militar chegam a 218, número decisivo para a Casa Branca. Conseguir que eles revertam sua posição será difícil.

No sábado, assessores de deputados democratas disseram que vídeos gravados após o ataque com armas químicas mostrando civis no chão foram exibidos para os parlamentares em reuniões secretas. A senadora Dianne Feinstein, da Califórnia, que preside a Comissão de Inteligência do Senado, postou os vídeos no website da Comissão, para a população tomar conhecimento.

A próxima fase da campanha de Obama será mais individualizada, com mais aparições do presidente - que dará uma série de entrevistas hoje e amanhã defenderá seus argumentos em rede nacional. Aos democratas indecisos, ele pede que ao menos votem contra medidas de republicanos para retardar ou impedir uma votação por maioria simples. "No momento, para a maior parte da sociedade, tudo parece se resumir numa simples pergunta: 'o Congresso vai votar para começarmos uma nova guerra?'", afirmou David Plouffe, ex-assessor de Obama que. / COM NYT

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