EUA ampliam ataque a célula da Al-Qaeda

Os Estados Unidos intensificaram a "guerra informal" que mantêm no Iêmen - um aliado de Washington na luta contra o terrorismo - para combater a Al-Qaeda no país, que enfrenta uma delicada situação de vácuo de poder desde que seu presidente, Ali Abdullah Saleh, foi para a Arábia Saudita tratar os ferimentos que sofreu durante um ataque de seus opositores, no dia 3.

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2011 | 00h00

De acordo com informações publicadas ontem pelo jornal The New York Times, os ataques americanos contra os militantes da Al-Qaeda, com caças e aeronaves não tripuladas, foram intensificados por determinação do governo de Barack Obama. As operações militares no Iêmen são lideradas pelo Pentágono, em cooperação com a Agência Central de Inteligência (CIA).

Para a CIA, a Al-Qaeda no Iêmen traz maiores ameaças aos EUA do que os líderes da organização que atuam no Paquistão. Ontem, no Congresso americano, o diretor da CIA e futuro secretário da Defesa, Leon Panetta, manifestou preocupação com as células da Al-Qaeda no Iêmen e na Somália. "Elas continuam perigosas e nós temos de ir atrás delas."

Os ataques dos EUA a alvos da Al-Qaeda em solo iemenita recomeçaram após uma pausa de um ano e têm como base informações obtidas por espiões americanos e sauditas. No dia 3, caças americanos atacaram o sul do Iêmen e mataram um dos principais integrantes da Al-Qaeda no país, Abu Ali al-Harithi, e outros militantes. No fim de abril, mísseis foram lançados no esconderijo de Anwar al-Awlaki, líder religioso extremista nascido nos EUA e um dos terroristas mais procurados por Washington, mas ele conseguiu escapar.

Segundo o New York Times, o governo americano está preocupado com a possibilidade da perda de apoio do governo do Iêmen nessas operações, caso a presidência de quase 33 anos de Saleh chegue ao fim. O regime do iemenita tem sido desafiado por manifestantes que exigem o fim de seu governo - muitos deles questionam a autorização aos ataques militares americanos no país, oficializada em 2009. Diante do risco da queda de seu principal aliado, a Embaixada dos EUA em Sanaa, capital do Iêmen, foi instruída a convencer líderes da oposição a apoiar a continuidade da ação americana. Em princípio, essas dirigentes teriam concordado. A preocupação de Washington estende-se ainda à definição das futuras operações militares. Sem a ajuda de Saleh, os EUA temem que seus ataques aéreos sejam usados em disputas tribais.

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